Desces pelo Chiado, passas por Pessoa, cais e esfolas o joelho, levantas, com o dedo molhado nos lábios gretados passas pelo joelho esquerdo, queima pouco, tem pouco sal, que sorte, que azar, pelo menos passará rápido com o néctar que é a tua saliva, levantas, ajeitas a roupa, a camisola desce mais um pouco, os calções ajeitam-se rentes aos joelhos, um deles ferido, o outro resiste enquanto espreita a sorte, voltas e danças pela rua abaixo, não trazes hoje os nós da alma, a vida é caos, é um abraço do destino ou uma chapada do azar, tal como na queda, fintas o destino na ignorância da cegueira, o teu controlo finda na dança que queres prendar a calçada deste Chiado que não te pertence mas é teu.
Entras em velocidade naquela descida, vendo os azulejos a reluzir o sol que hoje beija também com calma, sais para dançar, rodopias, olham para ti e rodas ainda mais para ver se os olhos dos outros também gira e se voltam para dentro, há muito por ver, muito mais nos dentros das pessoas do que nos tetos deste que dança.
Velocidade, é a nossa dança.