Longe vai o tempo que o carro is cheio de estranhos, a madrugada era fria e o destino é o mesmo, já não somos estes que aqui se sentam, o nosso olhar não é o mesmo, o destino mudou, mas ainda sei quem são estes dois, ainda tropeçam um no outro, todos os dias, em pensamento, ainda sabem o lugar um do outro, sem se ver, sem se tocar, há uma memória bonita, de futuro, a melhor delas.
Vamos juntos pela cidade, não importa quantas vezes, caminhamos de mãos dadas sem nos tocar, crescemos aqui no coração um do outro, sem por fins no caminho, sem deixar silêncios por dizer, será que ainda nos conhecemos?, sim, sempre, o tempo passa e não esquecemos, quem fomos, quem somos e o que seremos, o nosso doce coração fica no mesmo lado da memória.
Sempre que me lembro, lembro de ti, sempre que cresces, cresço contigo, se a tua alma transborda eu serei o vaso que a guarda, se o teu sorriso trespassa, serei o espelho que a guarda, se a lágrima cai, estarei lá para a guardar como um tesouro, cuidar, proteger, ainda nos lembramos de nós.
Quando um dia voltarmos àquele autocarro cheio, velhinhos talvez, enrugados, saudosistas, teremos esta longa história, esta família à nossa volta e uma memória que ainda existe, ainda sabe quem é.
Até lá, ainda agradeço a tua voz e o teu abraço. Até lá, guarda o meu carinho e amor, que eu não consigo deixar longe de quem colhe a madrugada. Nesta cidade e nas outras, no mundo grande que nos sustenta, onde crescemos hoje, onde eixstirem fins e começos, onde existir lembrança e esquecimento, tempo e espaço, seremos, enfim, parte doce do mesmo coração, abraço quente da mesma memória.
Sempre.