Aqui diz-se quando ninguém deixa. Aqui manda-se vir sem os gajos ricos deixarem. Aqui fala-se... E fala-se... Por ser isso que nos mantém vivos
Balelas (ou não) da Rua
Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Sabes...

Sabes que o ontem foi o eu que sempre serei. Sabes que o tempo muda na manhã para o tempo igual ao de sempre. Sabes que depois do Inverno vem a Primavera?
Sabes que o mundo é redondo e a vida é eterna? Sabes que a beleza dos teus olhos se espelham nos meus que sempre te olharam?
Sabes que o vento que sopra nos nossos cabelos são as nossas vozes sem o medo de serem nossas?
Sabes que o silêncio é o eco das nossas vozes.
Sabes que volto a rir por qualquer coisa senão só. Sabes que o perfume não se esquece e a memória não se apaga?
Sabes que o nós é eterno. Sabes que a mentira nunca foi mais senão uma verdade não dita.
Sabes...? Quem sabe um dia
sábado, 1 de outubro de 2011
E Depois do Adeus... José Niza
José Niza faleceu no passado dia 23 de Setembro e deixa um vasto legado cultural que extravasa as fracas fronteiras Portuguesas.
Ex-deputado, Médico, compositor e poeta, é o autor da letra da senha da revolução dos cravos, E Depois do Adeus. Entre outras obras foi compositor das músicas Flor de Verde Pinho (poema de Manuel Alegre), Calçada de Carriche, Lágrima de Preta, Fala do Homem Nascido (poemas de António Gedeão), Festa da Vida (poema de José Niza).
Que língua estrangeira é esta
que me roça a flor do ouvido,
um vozear sem sentido
que nenhum sentido empresta?
Sussurro de vago tom,
reminiscência de esfinge,
voz que se julga, ou se finge
sentindo, e é apenas som.
que me roça a flor do ouvido,
um vozear sem sentido
que nenhum sentido empresta?
Sussurro de vago tom,
reminiscência de esfinge,
voz que se julga, ou se finge
sentindo, e é apenas som.
Contracenamos por gestos,
por sorrisos, por olhares,
rodeios protocolares,
cumprimentos indigestos,
firmes aperto de mão,
passeios de braço dado,
mas por som articulado,
por palavras, isso não.
Antes morrer atolado
na mais negra solidão.
por sorrisos, por olhares,
rodeios protocolares,
cumprimentos indigestos,
firmes aperto de mão,
passeios de braço dado,
mas por som articulado,
por palavras, isso não.
Antes morrer atolado
na mais negra solidão.
Desencontro, José Niza
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Manual de Pintura e Caligrafia
In Nomine Dei

«"Entre o homem, com a sua razão, e os animais, com o seu instinto, quem, afinal, estará mais bem dotado para o governo da vida?" Não faz sentido? "Se os cães tivessem inventado um Deus, brigariam por diferenças de opinião quanto ao nome a dar-lhe, Perdigueiro fosse, ou Lobo-d'Alsácia? E no caso de estarem de acordo quanto ao apelativo, andariam, gerações após gerações, a morder-se mutuamente por causa da forma das orelhas ou do tufado do seu canino Deus? "»
José Saramago
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