Balelas (ou não) da Rua

Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra

domingo, 22 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Viajar


Percorremos caminhos sem os ver realmente, observando pelo gosto do tacto as centrifugações hirtas que desconfiguram os seres parafraseados que são os viajantes.

Viajar é morrer neste sítio e esperar que se possa nascer num prado verde deslumbrando uma ténue linha de horizonte banhada pelo azul tépido que outrora foi nosso, nada é meu.

Nascer pela força parideira de um suspiro, vagando as ervas de espaço e controcendo a existência do vacuo da morte, viver, respirar, sentir cada grão de terra veranear-se do nosso corpo e sair da terra. Ir ao sol, ir ao sonho, ir a Deus, sem sair do momentâneo bafo de 100 anos de existência.

Acordarei num prado verde, acompanhado do eu que não encontro, sonhando um dia voltar rumo ao lugar onde não se pertence.

Viajar é morrer para nascer. Ousemos.

33 Degraus


Falta qualquer coisa, quando a meio da viagem, onde o corpo se afugenta de si próprio, impedindo de afastar os barcos que se atracaram ás vontades, vemos que quanto menos se vê mais se sente.

Que algo cegue as nossas almas por breves instantes.

A meio da viagem, onde se arrastam os barcos a meus pés, vejam que faltam 3 degraus e uma escuridão.

Só se aguarda que com a descida ao inferno se possa ascender ao céu...

Que se sinta o que já não se sente mais

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Um Pouco de Todos Nós (Eugénio de Andrade)

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Portugal Está a Atravessar a Pior Crise (1981)


Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela Política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura.
Eça de Queirós