Manténs as tuas preces por dentro pode ser que lá te curem, ouves enquanto correm pelo teu sangue devagar, entrando em soluços pelos mais profundos órgãos do corpo, entrelançando-se, amordaçando, e contorcendo cada parte de si num silêncio, numa quebra de fé, uma vez encontrei a paz e ela sorriu-me de desdém, vestia de branco, sorria, emanava música, pedia um toque de silêncio, era vaga e, depois, virou as costas, partiu, não me chamou, disse-me que perto teria respostas, não desistisse.
De noite, não se dorme enquanto o amanhã fica na penumbra do tempo, no breu do escuro, cada um na sua corrida, cada esperança no seu cavalo, não há respostas, não há perguntas,
Corre, destrói, arranca, parte, grita, solta,
A paz de longe sorri e sabe que cada voo é único, cada choque mortal, cada toque especial, um dia voára com quem perdeu as asas no caminho,
De noite não, esta noite não.
Aqui diz-se quando ninguém deixa. Aqui manda-se vir sem os gajos ricos deixarem. Aqui fala-se... E fala-se... Por ser isso que nos mantém vivos
Balelas (ou não) da Rua
Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra
quarta-feira, 27 de maio de 2015
quinta-feira, 21 de maio de 2015
ArMas
E mais uma queda e levantas-te de manhã, não conquistaste o espaço, não deixaste a guerra, e no nosso mundo sem armas, amas o que mais tens que amar e sem grandes multidões à deriva, confias no silêncio que não tens, continuas a lutar por ti, e para lá dessa pele rija e sorriso suave, está um mundo de letras por juntar, um mundo de frases por construir que, quando ordenadas placidamente no sentido último das coisas nenhumas, será no sentido único, o único sentido de sentires coisa alguma. Ficas de olho aberto pela noite, não sabes se sobrevives, não sabes se alguém te salva, e queres a vida, queres que alguém te salve mas é difícil escolher o certo, quando não se sabe o que é errado, irado, e com pele rija e coração. lutas, não me verás cair em pedaços nem destruir em sonhos, não saberás ver onde caio e muito menos de onde me levanto, não verás de mim parte fraca do que não sou, nem sonho sonhado do que não fui.
Puxa, aperta, corre, cega, não verás cair quem sempre se levanta, não perderás a guerra com quem de armas não precisa.
A maior arma é ter no dia inteiro o infinito do tempo para te ter.
Puxa, aperta, corre, cega, não verás cair quem sempre se levanta, não perderás a guerra com quem de armas não precisa.
A maior arma é ter no dia inteiro o infinito do tempo para te ter.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Mudança
Não sabes o que se passa mas tudo muda, todas as pessoas mudam, dizes-me que não sabes sobre a vida mas quando se pensa um pouco sobre tudo, é tanta a dúvida que só podemos ter certezas, corre, morde e parte, a dor que temos nos olhos é o não saber do porquê da mudança, então, pelo corredor do tempo, quando tentas perceber o que é isto, quando te mexes apenas para ficar, quando simplesmente sabes que não sabes, tudo muda e só o teu nome fica, e só o teu ar fica, já passaste por tantos sonhos e adormeceste em tantos pesadelos, não parece certo que tudo mude, então quando o tempo passar e tentares perceber o que és, quando ficares não ficares no jogo mas criares o teu, quando tudo mudar e ficar simplesmente igual, quando, quando, quando,....
Então, o quando é teu, o momento nosso e o jogo o que decidirmos jogar hoje.
Precisas de começar por algum lado? É aqui que sonhámos, o simples de ter aqui tudo, estamos a ver o tempo passar e precisamos de nos agarrar para não passar, e o vento corta, o começo parte, e nós vamos, apenas para um sítio, longe, pode ser o fim de nada e o começo de todo, onde apenas eu e tu sabemos, onde apenas eu e tu podemos estar. Simples coisas, deixa-te ir e começa!
Então, o quando é teu, o momento nosso e o jogo o que decidirmos jogar hoje.
Precisas de começar por algum lado? É aqui que sonhámos, o simples de ter aqui tudo, estamos a ver o tempo passar e precisamos de nos agarrar para não passar, e o vento corta, o começo parte, e nós vamos, apenas para um sítio, longe, pode ser o fim de nada e o começo de todo, onde apenas eu e tu sabemos, onde apenas eu e tu podemos estar. Simples coisas, deixa-te ir e começa!
Temos tanto
Temos tanto...
Dois pássaros a voar, duas mãos juntas e a janela aberta sobre o horizonte, as certezas que ninguém perguntou e o silêncio disse, o que voa na recordação e ter tudo por dizer, todos os dias e a vida não chega, há um céu e um mar, um infinito por descobrir, uma terra por explorar, o que se escreveu é sempre linha branca do que ainda não está escrito e, devagar, o tempo passa mas não por nós, há tanto para contar, tanto para viver, tanto para amar, e a vida não chega. O tempo aqui parou e a saudade ficou, é hora, não é desencontro, não é silêncio, é toque e vida, é voltarmos sempre ao sítio de onde não saímos.
E ficamos... Temos tanto que tudo parece tão pouco.
Dois pássaros a voar, duas mãos juntas e a janela aberta sobre o horizonte, as certezas que ninguém perguntou e o silêncio disse, o que voa na recordação e ter tudo por dizer, todos os dias e a vida não chega, há um céu e um mar, um infinito por descobrir, uma terra por explorar, o que se escreveu é sempre linha branca do que ainda não está escrito e, devagar, o tempo passa mas não por nós, há tanto para contar, tanto para viver, tanto para amar, e a vida não chega. O tempo aqui parou e a saudade ficou, é hora, não é desencontro, não é silêncio, é toque e vida, é voltarmos sempre ao sítio de onde não saímos.
E ficamos... Temos tanto que tudo parece tão pouco.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Baixa a luz
Passa o dia devagar, onde a luz renasce de manhã e nos faz esquecer o tempo, há coisas que não o têm, é tudo tão maior aqui, é tudo tão maior quando estás aqui, a pouco e pouco o jogo avança, o medo faz-nos sós, o tempo passa e não fugi, não fugiste, não está frio, a luz fica e tu também, e nos conformes da manhã que avança, onde tudo o que é meu e não sei largar, tudo o que é teu e não queres largar, vem, e deixa vir o que com a água vier, não haverá o último a cair, não se pode perder quando estamos a ganhar.
Em todo o tempo que julguei existir, não houve tempo algum que contasse até ao dia, pois tudo o que é meu, e teu, é nosso, não sei largar, não o sabes, rasga o escuro, deixa a chuva cair e lavar consigo o que dói, não se vai perder, quando finalmente encontraste o que julgavas não existir,
Em todo o tempo que julguei existir, não houve tempo algum que contasse até ao dia, pois tudo o que é meu, e teu, é nosso, não sei largar, não o sabes, rasga o escuro, deixa a chuva cair e lavar consigo o que dói, não se vai perder, quando finalmente encontraste o que julgavas não existir,
Baixa a luz, há brilho que chegue para termos caminho para a vida.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Risco
É aceitar o risco.
Tudo na vida tem duas medidas, dois sentidos, duas formas analogamente opostas que se transitam em sentidos distintos, e tudo é mensurável mesmo que sem medidas. Entre o ir e o voltar, entre o aqui e o ali, há o espaço insensato do tempo, o intervalo da distância e o medo da rendição.
Depois rendemo-nos, deixamos, para viver de novo, para ir mais longe. Para esta viagem há que não levar bagagem, há que deixar a roupa noutro corpo, a mala no seu lugar, e ir, simplesmente nu de tudo, sem qualquer rasto de civilização e render o corpo e a alma ao tempo, deixar ir com ele tudo, apostar numa só casa, voar tudo numa só vez, para chegar aí.
É aceitar o risco.´
É saber que a casa pode cair, que os braços se podem perder, que o voou pode ser curto e a estrada perdida, ter na memória o instante do mundo, o receio do eterno, o medo na sua inconstância sádica e mesmo assim render-se por completo.
É aceitar o risco.
De juntar mil sonhos num só e todos os passos num caminho.
Tudo na vida tem duas medidas, dois sentidos, duas formas analogamente opostas que se transitam em sentidos distintos, e tudo é mensurável mesmo que sem medidas. Entre o ir e o voltar, entre o aqui e o ali, há o espaço insensato do tempo, o intervalo da distância e o medo da rendição.
Depois rendemo-nos, deixamos, para viver de novo, para ir mais longe. Para esta viagem há que não levar bagagem, há que deixar a roupa noutro corpo, a mala no seu lugar, e ir, simplesmente nu de tudo, sem qualquer rasto de civilização e render o corpo e a alma ao tempo, deixar ir com ele tudo, apostar numa só casa, voar tudo numa só vez, para chegar aí.
É aceitar o risco.´
É saber que a casa pode cair, que os braços se podem perder, que o voou pode ser curto e a estrada perdida, ter na memória o instante do mundo, o receio do eterno, o medo na sua inconstância sádica e mesmo assim render-se por completo.
É aceitar o risco.
De juntar mil sonhos num só e todos os passos num caminho.
quarta-feira, 25 de março de 2015
Fechar Lisboa
Entraste no avião primeiro, com um último sorriso perto do meu, aquele até já foi tão longo, tão metálico que ainda hoje se passeia por dentro da alma, roçando nos cantos uma pequena ferida que não se finda, reacende como uma pequena luz, lembrando que ainda, lembrando que já, e tudo mudou e nada ficou diferente. Foste, deixaste aqui um rasto de saudade, um conjunto de lágrimas guardadas para ocasiões especiais, como as roupas bonitas para casamentos, ou os doces mais gulosos para festas, deixaste-as guardadas para os dias mais escuros, para que uma luz pudesse mostrar o caminho para casa e fossem pirilampos esses tempos, gotas essa luz, e tudo faria sentido quando perdessemos a ausência do mesmo.
O tempo passou, o tempo passa sempre como o ar, nasce de manhã, sentindo o despertar, os pequenos gestos que sei que fazes em direção ao céu, os pequenos sons que te dizem bom dia e o olhar que se recente da luz, da nossa. O mesmo de sempre, mesmo sem o sempre de alguma vez ter sido o sempre de sempre, sei que o é.
Existe algo, não sei o quê, uma criança perdida pela margem, por todas as margens do mundo, que corre perdida, que corre sem cansar, com um sorriso tonto e uma lágrima bruxuleante, uma criança que, não sabendo para onde vai, só quer saber onde não fica e corre, e procura, e lança-se pela estrada, às vezes caindo, outras vezes saltando, ela sabe que no fim, se houver, melhor, sabe que no instante último do caminho, haverá um novo e esse será maior que todos os outros caminhos que se correm sem percorrer.
Agora entro eu. Olho para trás e fica um pouco de mim, uma saudosista mágoa como sempre, um sentido de mudança de não ser quem o viu nascer, o não saber se, o querer também e todas as formas incompletamente sintáticas do mundo que aqui podia ser encriptadas, um simples e conclusivo mas que por nunca concluir, nunca é simples e por nunca ser simples, um mas é complexo, nunca conclui, e neste circulo de mas se fazem os homens que decidem sem contudos. O que vier daqui será desafio, uma nova terra e um novo ser, nós não somos mais viajantes, somos a viagem que um dia sonhámos ser.
Fechar Lisboa.
E abrir com ela os mas do mundo.
O tempo passou, o tempo passa sempre como o ar, nasce de manhã, sentindo o despertar, os pequenos gestos que sei que fazes em direção ao céu, os pequenos sons que te dizem bom dia e o olhar que se recente da luz, da nossa. O mesmo de sempre, mesmo sem o sempre de alguma vez ter sido o sempre de sempre, sei que o é.
Existe algo, não sei o quê, uma criança perdida pela margem, por todas as margens do mundo, que corre perdida, que corre sem cansar, com um sorriso tonto e uma lágrima bruxuleante, uma criança que, não sabendo para onde vai, só quer saber onde não fica e corre, e procura, e lança-se pela estrada, às vezes caindo, outras vezes saltando, ela sabe que no fim, se houver, melhor, sabe que no instante último do caminho, haverá um novo e esse será maior que todos os outros caminhos que se correm sem percorrer.
Agora entro eu. Olho para trás e fica um pouco de mim, uma saudosista mágoa como sempre, um sentido de mudança de não ser quem o viu nascer, o não saber se, o querer também e todas as formas incompletamente sintáticas do mundo que aqui podia ser encriptadas, um simples e conclusivo mas que por nunca concluir, nunca é simples e por nunca ser simples, um mas é complexo, nunca conclui, e neste circulo de mas se fazem os homens que decidem sem contudos. O que vier daqui será desafio, uma nova terra e um novo ser, nós não somos mais viajantes, somos a viagem que um dia sonhámos ser.
Fechar Lisboa.
E abrir com ela os mas do mundo.
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