Preciso de falar contigo, não sei onde estás e muito menos quem és, quem poderás ser, estou a sós, de luz trancada e de silêncio ligado, calado na voz, olhos carregados de mar, folgando os nós das roupas, das almas, deixo transbordar de mim as datas e as contas, as dores e as memórias, tentanto ficar de mãos vazias, não consigo, quando quero falar contigo não sei onde estás, não sei quem és, aceito a dor e com ela nada faço senão mirá-la, observá-la, com calma, plácido, ammaso-a, viro-a, rodopeio e ela nada faz, cresce, lambo-a, nada, abraço-a, vejo-me tristonho nela, acho-me medonho nela, nada acontece. E se eu quiser falar contigo, não sei onde estás, nem sei quem és, aventuro-me sozinho à tua procura, subo ao céu, desço ao inferno, sem cordas, arrasto-me nas paredes calcárias, digo adeus às esquinas que cruzo, dou as costas a todos os caminhos, a todas as estradas e não vou dar a nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, que eu possa segurar.
Não preciso de falar contigo, nem sei onde estás e muito menos quem poderias ser. Sei que precisava do teu colo e do teu silêncio, saber que tudo iria correr bem, mesmo que continuasse perdido sem nada ter de encontrar.
Sem comentários:
Enviar um comentário