Balelas (ou não) da Rua

Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Ilha

 Já tentei mudar, por um sorriso no rosto, um abraço apertado no corpo, tentei ser bom, ser melhor, mas acabo no mesmo espaço, tentando ser diferente, mas será que sou apenas um ator, gostava de ser perfeito mas não sou daqui, envio sinais de fumo, ninguém vê, na ilha onde estou já não sinto o sol, o sal do mar não me arde, não me cura, estou demasiado longe do centro, não sinto a areia nos pés nem a brisa na face, não há arranjo para quem nasce desassossegado.

Se tivesse menos espinhos num corpo, ou uma pele mais lisa nas mãos, sem os sinais do tempo, sem as linhas da destruição, passaria no rosto de quem se avizinha, aproximava de quem está perto, o mais dificil é saber quem sou e que não há solução para quem solucionado está, não há alturas para quem nasce baixo, não há espaço para quem não ocupa lugar, somos diferentes e eu não tenho arranjo.

Pego num barco a remos improvisado, com as madeiras do corpo, os braços da alma, sei quem sou e isso é o mais dificil, não tenho arranjo, não sou daqui, grito ao vento num soluço baixo, dou mais sal ao oceano e arranco, não sei para onde, não sei porquê, sei que não sou daqui.

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