Noutro lugar deste mundo, longe de mim, anoiteço no meu corpo, morto, apagado da vida, apagado da luz, nunca teve com calmo, nuna teve tão escuro, quer começar do início da vida, fora do útero, dentro das amarras, perceber os erros dos caminhos e ter a distância deles, pedir ar quando sufocoa, pedir asas quando cai, pedir voz no silêncio e cara no gesto.
Quero anoitecer noutro corpo, noutra vida, bem longe, no tempo e no espaço, erceber de que rios são feitos os meus olhos, de que searas se faz o tempo, de que verde é a esperança, que toque tem o amor, que paz tem o ruído, saber nos cantos redondos do mundo o que sou e para onde vou, tirar de mim este desejo contante de estar longe da vida, trazer ao corpo a dor imensa de ser eu,, projetar-me no que quero, não o que eu quero, somos dois na mesma pele, dois silêncios diferentes no mesmo quarto escuro, dois olhos que se miram sem perder.
Sou um espelho de mim que não se reconhece, vejo os dedos dactilografar estas letras perdidas e minhas não as são, deixam-na ir, também não são dele, são apenas acasos caos que renascem no vazio do papel, na dor imensa do espaço vazio que se ocupa de escuro, um recomeço de dois que não o são, que não sobrevivem um sem o outro, que não vivem enquanto estiverem juntos.
Quero-te arrancar de mim, quero-me arrancar de mim, apagar a sombra que sou, deixar-me vazio.
O silêncio salva a alma que se perdeu. A minha fica aqui no ruído da solidão que somos nós, eu comigo.
Sem comentários:
Enviar um comentário