Se eu ficar, serei sombra, traço morto, rasto mais negro, pedra mais escura, então vou, a passo pesado, para onde o mar acaba, onde o sonho é miragem e o horizonte casa. Há um trago doce das memórias, tudo o que levo às costas, adeus, não ficaram lágrimas por visitar, sabemos que do outro lado do mundo haverá sempre o tempo dos heróis, das muralhas, onde se conquistaram terras férteis e onde o sol brilhou de noite. Hoje não. Hoje não. Hoje não.
E no fim, teremos sempre. Sempre, a palavra. Sempre, o verbo. Não sei que ficará senão os sempre que deixamos no ar, as mãos que se tocaram e os olhos tocos que se refletiam em cada um.
Quando me quiseres encontrar, perde-te porque eu não sei onde estou!
Sem comentários:
Enviar um comentário