Balelas (ou não) da Rua

Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra

quarta-feira, 28 de março de 2012

Anda Comigo


Nunca um segredo fora tão mal guardado, esta falta de sensibilidade para evitar dizer coisas constrangedoras é algo que transcende, sempre saiu o que não queria, o problema é que nem sempre foram as palavras o vector entre nós, um gesto que não percebeste, um pequeno toque de alma que não ligaste, um sorriso, sabes o que eu quero dizer, que me falte o ar senão foi verdade que te disse sempre tudo, mesmo que não o quisesse dizer,

Hoje, enquanto a mirabolante ideia de transmitir vectores que não palavras ou complexas equações matemáticas matriciais, digo-te em palavras que não são minhas, são de todos e de quem as quiser receber, anda a lua,

Anda Comigo Ver Aviões, sem ninguém, com o mundo
Só nós, com todos,
Na tranquilidade que nos falta, No espaço que nos sobraq

segunda-feira, 26 de março de 2012

Espaço Impossível



Entre todas as distâncias a pior é aquela que não se sente, apenas com o passar dos anos sentimos aquele vazio a crescer, lapidando a alma, sentindo que nós poderíamos ter feito a diferença, podíamos ter estendido a mão, um simples abraço, um grande silêncio que só os verdadeiros amigos apreciam, e, contudo, deixamos o tempo passar, vazio pelas andanças da eternidade, andando circunscrito na sua vaidade, as desculpas de falta de tempo, os olás que já não se arrastam, as meras conversas de conveniência, Olá, Tudo Bem?, e por ai ficamos, sem saber o quando sentimos por dentro, sem conceber que este Olá deveria ser mais, deveria ter a voz que só nós sabemos ter, aquele toque mágico que se ganha com o passar dos anos, quer sejam muitos ou intensos, aqueles eram nossos.

Deixei a voz pender nos murmúrios, arrependo-me, como em tudo do que não faço, não o façamos.

A nossa voz, a nossa alma, transparece em cada sorriso, em cada momento,

"Põe tudo quanto és no mínimo que fazes".

Nunca é tarde enquanto houver tempo!...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Gestos e Palavras




Agarra-me perto e rápido, as palavras mágicas que me lanças são feitiço de um ser novo que nos traz em vida, quando me beijas com palavras eu apago o futuro, pressiona-me ao teu coração foge para um novo mundo àparte, onde rosas nascem, ondas batem, cheiros inundam os nossos olhos de cor, as palavras vãs, vulgares, são agora poemas de génios maiores, os gestos são rituais só nossos, aperta-me o coração com o teu, e fala, anjos cantam de longe, todo o que dizes parece um momento, dá-me a tua alma e para sempre ...

Os olhos abrem-se, as ondas batem, os cheiros apagam-se,
E tu não estás cá...



Perco o sentido no deserto imenso que é a tua ausência, o tempo de espera pela tua falta é grande demais para o nosso tempo, um vácuo profundo de nada apaga o mar que se espelha nos meus óculo, Vem, Vem ver o baile das ondas onde tu não passas,
Além do Mar, o Abismo se espelha

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Se Alguma Vez te Perguntaste


Acordo todos os dias com a mesma alvorada espelhada no céu, um quanto incompleta por não ver rostos em reflexos, caricías de vento na minha face e um salto da varanda até ao infinito mundo que reside debaixo dos nossos pés.

E acabou aí, não há maneira nem forma de dizer quem sim,

Acreditas que por ti, ou por tua culpa, parti para longe dos outros, pergunta-te onde estavas
Acreditas que por ti, ou por tua culpa, nunca gritei às ondas a voz do meu tempo, pergunta-te porque te calaste,
Acreditas que por ti, ou por tua culpa, acreditei que uma só palavra bastava, pergunta-te onde ficaram as tuas mãos, ausentes de mim,

Sinto que tenho de me ir assim, sem dizer adeus, sinto que voltar atrás é pretérito,
Nem uma palavra mais, nem toques na face, uma única carícia na tua alma,
É que ela estará sempre um pouco na minha

Se alguma vez te perguntaste...,
perdoa-me por não te ter perguntado antes

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Noite


Em todas as noites percorres a ilusão que sobra nos profundos recantos do pensamento, a falta, a ausência de se estar onde já não se está bem, querer voltar quando sabemos que o nosso lugar é o agora, um passo, um pequeno passo, junto de estar próximo é pecado de mais para as nossas existências.

Tocou-nos uma vez e só nessa vez a noite foi de mais ninguém, nem gritos de almas transparentes, nem exaltações demais para os nossos olhos, aquela noite, perto, longe dos outros, em quaquer sitio em que eles estivessem, um pequeno sorriso, um pequeno gesto, uma pequena aproximação,

Depois a noite veio e a alma é vil.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

iR - VoLtAr


Nascemos no nosso sítio, esperando que o dis sejemos grandes o suficiente para o extravasar e cumprir a alma dos antepassados em gritos de loucura e actos de ousadia.
Abandonamos ilhas, criamos barcos, descobrimos paraísos, matamos escravos, restauramos liberdades, abandonamos as roupas velhas que têm a forma do nosso corpo e, um sensação fantastica nos cumpre, somos mais que isso, somos isso tudo.
Por muitas roupas que tiremos, muitos mares que naveguemos, muitos países que deixemos, somos sempre nós nesse pouco local e esse local é sempre nosso em cada passo pesado e em cada corrida apressada.

Assim como o ar que respiramos
Assim como a água que bebemos

O que somos é nosso
E o que fomos também...
...E o que seremos.

Que voz vem no som das ondas
que não é a voz do mar?
É a voz de alguém que nos falla,
mas que, se escutamos, cala,
por ter havido escutar.


E só se, meio dormindo,
sem saber de ouvir ouvimos,
que ella nos diz a esperança
a que, como uma criança
dormente, a dormir sorrimos.


São ilhas afortunadas,
são terras sem ter logar,
onde o Rei mora esperando.
Mas, se vamos despertando,
cala a voz, e há só o mar.
In Mensagem, Fernando Pessoa