Balelas (ou não) da Rua

Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Caminho

Em cada passo do caminho pensarei em ti, no sorriso que me falta, na memória que me resta, no silêncio de nada te dizer, volto as costas não por não te querer ver mas numa tentativa de ver as memórias, memórias é tudo o que levo de ti, não chores, eu não chorarei, e eu irie sempre voltar a este lugar sabendo que já cá não estás mas na esperança de saber pelas rochas, ondas, flores ou ventos, que tiveste sorte, que há esperança, espero que elas te transmitam tudo porque eu irei sempre estar para lá das montanhas, em todos os vales, escondido no silêncio e apagado na escuridão, sabendo de ti como sempre soubeste de mim,
Pelo caminho, pela viagem, pela memória

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Coragem de Correr

Enquanto os param nos bancos, sentados no conforto do seu sofá, contentes com descontentamento do mundo, outros correm, sem significado, sem ideias nem ideais, sem querer exaltar os céus ou amaciar a terra, correm porque acham que assim estão vivos, ´+e sinal se que são Homens, seres vivos, um rasto da veia de um passado que não querem exaltar, são artéria de um povo que tem tudo a provar e já nada está provado, correm apenas pelo sonho, correm apenas pela vida, correm apenas pelo amor, correm porque correr é estar vivo, sem dores, sem cambrias, sem medos, sem sequer baixar a cabeça para contar os passos, não importam os sapatos, a roupa, quem corre connosco, desde que parar seja morrer, não importa se nos interpõem muros, correremos adentro deles, quebrando tijolos, despindo mágoas, quebrando preconceitos, quebrando maldizeres e povos ignorantes,
Eu corro contra a ternura, corro contra o snobismo, corro contra o povo, corro contra os ideias,
Corro com ideias, corro com pessoas, corro com alma e com saudade, com vento, pelo mar,

Corro porque a correr estamos vivos,
A correr celebramos a liberdade,
independentemente do que ela significa para nós.

Viva Portugal, Viva a Vida, e vivam os que não se sentam e os que não se contentam.

Vagões

Toca ferro com ferro no árduo caminho da minha estrada, sob um céu cinzento e uma amargurada chuva que teima em beijar a minha face já molhada pelo passado que me incorre, nos olhos o reflexo da esquizofrenia de um carril que teima em não ser hirto na vicissitude, alguém que se irrompe do cais e manobra o comboio com a agilidade nula de uma criança ao ser feliz, Cumpre-se o destino de quem corre, o sapato de quem usa toca o chão e incorre em perigo ao nunca parar.
Os vagões correm e incorrem em erro, não são mais que um, um mero mero de um outro ser, são os parentes menos reconhecidos de um majestoso comboio que se ergue na população, imponente.

Neste céu cinzento o caminho continua-se a fazer caminhando e, enquanto o meu rosto reflectido na palidez de um vidro tosco, se ergue na madrugada, penso,

Sem vagões não há comboio que subsista.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Eu Sou o Poder


Longe na distância imprecisa dos sonhos não concretizados, um anjo desce do céu, sem palavras, num múrmurio, apreciamos o silêncio de mundo inteiro, o som das árvores caladas, o som da calçada abafada pelos rastos da humanidade, e caminhamos para algum lado, onde nunca ninguém esteve, alguma vezes passamos por ele, sem estarmos preparados para o encontrar e baixamos a cabeça para o não ver, o som do coração a bater, das veias a pulsar, sim estamos vivos, sim estamos crus, sentimos que não conseguimos avançar, mas está aqui algures,

Porque somos nós, apenas nós, a razão de existirmos, a força de lutarmos e a voz de resistirmos,
e sempre que me tentares encontrar vou fazer tudo o que puder,
caminharemos finalmente para algum lado,
onde sempre estivemos e nunca nos quisemos encontrar,
agora estamos prontos, Isto é o (p)Poder
Porque se pode sempre quando a alma quer ser

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sempre para Sempre


Sempre que o vento soar mais alto que as vozes, o mar mais alto que os muros que nos separam, as aves cantarem de tal modo que o mundo saiba que existem, existirá para sempre um pequeno espaço só teu, só para ti, na distância, na proximidade, se juntos ou separados, acredito que estará sempre lá, um pequeno passo do medo, a um pequeno tempo do vento e da distância, irá sempre ter ao teu, irá sempre estar acordado, mesmo em sonhos,

Estás aqui, não há medos, receios, vidas, ilusões, crimes, silêncios, palavras, ecos, pessoas, este pequeno espaço é imune do mundo, porque é só teu,

Para Sempre,
Sempre para Sempre

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ruas


Bom dia ruas dos meus passos, aqui digo todo o que vejo, escondo o nada que me basta, passo pela minha rua com o frio, com o sol e o beijo tarde de alguém, vivo assim, entre a calçada de cima e o alcatrão em baixo, um dia juntam-se as rosas de cima com as pessoas de baixo para vir ver o arraial desta cidade, Bom Dia, dizem das janelas as pessoas que iluminam o sol com o seu sorriso, um dia há de ser dia, sem temer os ventos e as marés, de sermos nós nos mesmo arvoredos, em novas ruas,
A minha Alma é feita de ruas novas que já não me levam às janelas de antigamente.

terça-feira, 10 de abril de 2012

X - Mais Barcos ao Mar


O mundo é tão pouco quando nos não basta a existência, quando a janela não é a distância mas o infinito, se a alma não é a vida mas o afastamento de nós, se os abraços desfeitos não são nossos mas de um sonho, se o beijo não é teu mas do vento, se a mão que te toca não é minha é do mar, Cobrir te ei da dor de ser não mais uma criança, serenamante no rio de todos nós verás uma vez mais, e uma única vez, que não são as ondas que estão no mar,

É o mar que faz as ondas onde os barcos navegam