Sem o tempo do sempre, ou o hoje dos outros dias, começar de novo, entrar num caminho diferente, ver nas árvores longas o desejo imenso, a manhã inteira, ter no pássaro livre a alma do deserto e o choro do campo, não me conhecer, não me ter nunca, virar o barco do mundo e socorrer me sem ar.
Vai valer pena deixar ir na estrada os caminhos que nos conduzem, os que não nos perdem, os que nos seguram, deixar fugir os fantasmas sem moldura, as esporas do domínio, a felicidade imensa, a dor aguda, os fascínios rebeldes e as ilusões inocentes.
Amanhecer só, longe, sem garras seguras, sem.
Sempre quis ser algo sem coisa alguma.
Aqui diz-se quando ninguém deixa. Aqui manda-se vir sem os gajos ricos deixarem. Aqui fala-se... E fala-se... Por ser isso que nos mantém vivos
Balelas (ou não) da Rua
Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra
domingo, 23 de novembro de 2014
sábado, 15 de novembro de 2014
Às vezes perder é bom
Às vezes perder é bom, ter pontes só até ao meio do caminho, só chaves de janelas, só metades de ti, só partes de nós. Que do mar da vontade nos afogue em desejo, nas outras margens que ninguém sabe, onde a ponte não chega e o silêncio não parte, eu parto também, mesmo que me espreites, não atravessa ninguém, não sabes, não vejas, fica, e só, somente contigo numa ponte que só chega a meia margem, num barco só a meia rés.
Deixar na antecâmara o passado do tempo, o resto dos resíduos, numa sala fechada, num beco escuro, e partir pela maré dentro que me chama, não sei quem me reclama, sei quem já não me chama. Das mensagens e da voz, já sou eu ouvi, o nevoeiro cobre, a luz já não vi. Não me chores, não contes dias, não demores a encontrar nova companhia.
Não reclames a minha agua, não fiques no meu tempo, coração não chames, inflama, reclama, grita e espanta mas não me chores, da ponte so o reflexo, de mim so memória.
Do outro lado da ponte espera me uma margem que ninguém sabe e um silêncio que ninguém conhece.
Às vezes perder é bom se o fizermos com verdade.
Deixar na antecâmara o passado do tempo, o resto dos resíduos, numa sala fechada, num beco escuro, e partir pela maré dentro que me chama, não sei quem me reclama, sei quem já não me chama. Das mensagens e da voz, já sou eu ouvi, o nevoeiro cobre, a luz já não vi. Não me chores, não contes dias, não demores a encontrar nova companhia.
Não reclames a minha agua, não fiques no meu tempo, coração não chames, inflama, reclama, grita e espanta mas não me chores, da ponte so o reflexo, de mim so memória.
Do outro lado da ponte espera me uma margem que ninguém sabe e um silêncio que ninguém conhece.
Às vezes perder é bom se o fizermos com verdade.
domingo, 2 de novembro de 2014
Dá-me a tua melhor faca
Dá-me a tua melhor faca, corta no meu melhor prazer, revela todo o teu sentido, enlaça toda a tua alma, corta nas esporas no deserto e finge todo o grito do universo, deixa no tempo a ilusão, deixa na memória a hesitação, deixa crescer o que nunca nasce e mate o que nunca morre, Cria contigo o universo que não queres, destrói connosco o que desejas. Limpa a boca e encolhe o estômago, ignora a fome e fuma o cigarro, parte o espelho, não és quem ele revela.
Depois, deixa a calma fluir, deixa a hesitação assentar, sente as costas raspar nas vísceras da parede onde te encostas, numa rua qualquer, num beco sujo, num aspeto nojento de roupa flácida, deixa-te descer, sinto os sulcos a moer, sinto a dor a renascer e desço, calmo, hirto, sem esperança, parindo silêncios em cada milímetro, chego perto do chão, as pernas cedem, esticam, elevam-se, mentira, restam, limpando as calçadas e as entrelinhas, cheguei ao fundo, se não o houver mais, cheguei ao topo se o findar, provavelmente, não cheguei a parte alguma por falta de força para ficar.
Dá-me a tua melhor faca e cortamos isto em dois!
Amanhã é tempo de esquecer.
Depois, deixa a calma fluir, deixa a hesitação assentar, sente as costas raspar nas vísceras da parede onde te encostas, numa rua qualquer, num beco sujo, num aspeto nojento de roupa flácida, deixa-te descer, sinto os sulcos a moer, sinto a dor a renascer e desço, calmo, hirto, sem esperança, parindo silêncios em cada milímetro, chego perto do chão, as pernas cedem, esticam, elevam-se, mentira, restam, limpando as calçadas e as entrelinhas, cheguei ao fundo, se não o houver mais, cheguei ao topo se o findar, provavelmente, não cheguei a parte alguma por falta de força para ficar.
Dá-me a tua melhor faca e cortamos isto em dois!
Amanhã é tempo de esquecer.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Amanhã
É de noite e ainda gritamos, já voam pratos nos nossos sonhos e vozes na inspiração, o dia claro foi para longe, há coisas para dizer e este não é o tempo para o corrigir. Vem, não irá ser para sempre, este mundo que não mente, sabes aquele que é só nosso, diz que acabou, Estou cansado, dormimos?, Vira-te, estamos perdidos, e perdidos ficamos, eliminando nas palavras os gestos que nos consomem por dentro. Vamos sobreviver, lutar, enfim, aquelas palavras de eliminar maus tempos e chover linhas, perpetuando parágrafos até páginas sem fim, de livros sem histórias. Insiste, vira-te, corre, não fica nada, não sobra nada, deixamos cair cada pedaço da memória nos percursos obtusos dos que se perdem nas ruas, nas chamas inocentes de quem sabe que arde por dentro, o cansaço vem, consome, irrita, preenche e deixa um quarto vazio, uma janela aberta e uma cama desfeita, não há espaço arrumado, a estante deslocou-se, os livros caíram na madeira do chão, as roupas continuam espalhados mas já não somos nós que nos quedamos no horizonte.
Amanhã, vamos ser livres!
Amanhã, vamos ser livres!
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Quando me quiseres esquecer
Cai a noite e o silêncio, a esplanada fica vazia, lentamente, sei que custa, não é fácil, não somos fáceis, acendem-nos uma vela com o cheiro antigo dos fósforos e da humidade que paira no ar, não voltaremos a encontrar-nos nos lábios um do outro, ver-me-às quando puderes, sei o que te faz triste, como te fiz triste, não há mais formas de saber, tinhamos os olhos abertos com as estrelas e a parte de ti que não vi, foi a que tu mostraste. Bebemos, o fumo ergue-se, rodopia, foge pelos lábios em foguete, a ponte ilumina-se na distância, estátuas idem, tenho a tua cabeça no meu ombro, e os meus olhos no infinito mundo de uma lágrima. Fazer o que tem de ser feito. Fazer o quê?
Quando me quiseres esquecer lembra-te de como me lembrares...contigo.
Quando me quiseres esquecer lembra-te de como me lembrares...contigo.
sábado, 30 de agosto de 2014
Quando me quiseres encontrar
Se eu ficar, serei sombra, traço morto, rasto mais negro, pedra mais escura, então vou, a passo pesado, para onde o mar acaba, onde o sonho é miragem e o horizonte casa. Há um trago doce das memórias, tudo o que levo às costas, adeus, não ficaram lágrimas por visitar, sabemos que do outro lado do mundo haverá sempre o tempo dos heróis, das muralhas, onde se conquistaram terras férteis e onde o sol brilhou de noite. Hoje não. Hoje não. Hoje não.
E no fim, teremos sempre. Sempre, a palavra. Sempre, o verbo. Não sei que ficará senão os sempre que deixamos no ar, as mãos que se tocaram e os olhos tocos que se refletiam em cada um.
Quando me quiseres encontrar, perde-te porque eu não sei onde estou!
E no fim, teremos sempre. Sempre, a palavra. Sempre, o verbo. Não sei que ficará senão os sempre que deixamos no ar, as mãos que se tocaram e os olhos tocos que se refletiam em cada um.
Quando me quiseres encontrar, perde-te porque eu não sei onde estou!
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Toque
Toda a ação dirigida e o alvo ininterrupto da vida humana, o circunflexo imperfeito da sua atuação crente e descrente, de todos aquilo que conhecem na despedida os restos preciosos do tempo. A ausência traz em si o sabor amargo da esperança, as esporas intermináveis da nostalgia, Não saber que há maneiras de não sentir, ninguém sabe, tenho os olhos abertos para as estrelas e mesmo assim não vejo o norte, O caminho é aquele que vejo contigo. Talvez nunca mais. Talvez para sempre. O talvez dos fracos indecisos. Fumo. A pequena chama que se consome a si própria, inalo, respiro, estou vivo, não sinto, tremo, Volta e vê me como quiseres.
E vai e vem, e troca e corre e o céu sabe que tudo vale, não importa como, não importa quem, as palavras são pequenas para a prosa dos corpos, o mundo esta louco, as pessoas não sabem, as pessoas só sentem, não há grandes vitórias mas épicas quedas, do império so o resto moribundo dos livros de memórias e dos cadáveres apodrecidos numa jaula qualquer humanistica. O mundo vai mau, o céu não se ergue, o fumo não para e tudo vale para valer por tudo. No meio disto, saímos pelas pontas que o nosso caminho já se faz pelos nossos pés.
Uma noite, no escuro, quando o mundo estiver frio irei encontrar te numa esquina qualquer, com o brilho qualquer, sem ideia talvez, contigo, saberei aí que não há nada mais além, so o fim do mundo no infinito do tempo.
E vai e vem, e troca e corre e o céu sabe que tudo vale, não importa como, não importa quem, as palavras são pequenas para a prosa dos corpos, o mundo esta louco, as pessoas não sabem, as pessoas só sentem, não há grandes vitórias mas épicas quedas, do império so o resto moribundo dos livros de memórias e dos cadáveres apodrecidos numa jaula qualquer humanistica. O mundo vai mau, o céu não se ergue, o fumo não para e tudo vale para valer por tudo. No meio disto, saímos pelas pontas que o nosso caminho já se faz pelos nossos pés.
Uma noite, no escuro, quando o mundo estiver frio irei encontrar te numa esquina qualquer, com o brilho qualquer, sem ideia talvez, contigo, saberei aí que não há nada mais além, so o fim do mundo no infinito do tempo.
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