Balelas (ou não) da Rua

Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Intemporal Ironia




O senhor Presidente foi operado a um corno
O senhor impotente foi operado a um dente
O senhor General quando saiu do forno morreu de repente

Morre-se cozido
Morre-se casado
Morre-se de morte publico-frontal

Estamos todos mortos
Todos descansados
A morte é um estado muito natural

O chefe da polícia morreu no seu posto vitima de mau cardiovasculhar
O Primeiro-Ministro morreu de desgosto e pôs-se a cantar:
Morre-se de pasmo
Morre-se de espamo
Morre-se de morte minestrial
Estamos todos mortos
Somos Todos asnos
A morte é um estado muito natural

José Carlos Ary dos Santos

O Reis em todos nós - Crónica Miguel Esteves Cardoso

Uma amiga enviou-me este link : http://naquelahora.blogspot.com/2005/09/elogio-ao-amor-miguel-esteves-cardoso.html
Aconselho um leitura rápida.

Este texto prova que somos todos Ricardos Reis, uns assumidos e outros não.
Será melhor preocupar-nos com a mera existência de um conceito abstracto que interliga 2 personagens; ou desenlaçar as mãos antes de a preocupação aparecer?

Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros
Onde que quer que estejamos.
Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros
Onde quer que moremos, Tudo é alheio
Nem fala língua nossa.
Façamos de nós mesmos o retiro
Onde esconder-nos, tímidos do insulto
Do tumulto do mundo.
Que quer o amor mais que não ser dos outros?
Como um segredo dito nos mistérios,
Seja sacro por nosso


Não quero, Cloe, teu amor, que oprime
Porque me exige amor. Quero ser livre.

A 'sperança é um dever do sentimento.

Ricardo Reis

Devíamos ser Todos cínicos, no sentido grego da coisa


Ser cínico... Quantas vezes nos atacamos mutuamente devido a uma hipotética nuvem de embaraços escondidos e verdades ocultadas, mentiras estupidificadas e palavras cortadas, e num ímpeto de, quiçá, raiva arremessamos a palavra cínico (muitas vezes associada a hipócrita).

Devíamos Todos ser cínicos, mas ninguém o pode.
Devíamos Todos ser cínicos, mas ninguém o quer.
[Já a hipocrisia deveria estar vetada a todas as "deidades exiladas"]

Na grécia antiga, no Sócrates de outrora, o cinismo era, simplesmente, o "desapego aos bens materiais e externos".

Perante estas circunstância, Caeiro é cínico e todos nós o gostaríamos de ser também...

Martim Vicente

Confesso que esta foi a única música que ouvi ontem no programa ídolos... Simplesmente fantástico, não tirando nenhum mérito às fabulosas concorrentes Carolina e Sandra.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

As asneiras


Dizer asneiras é muitas vezes impulsivo.
Contagioso.

Dizer asneiras é feio.
É porco.

Dizer asneiras incomoda.
Causa mau estar.

Verdade. Mais verdade para uns do que para outros, se diga.
No entanto, esta é certa...
"As asneiras foram feitas para se dizerem, se não, para que existiam?"
Da autoria da minha querida e ilustre amiga Carolina Gonçalves.
Diriam filosofias baratas e de gente mal criada... Mentira. Filosofias vitalícias e verosímeis.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O génio em Caeiro



Deparei-me com as frases mais simplificadamente complexas no estudo de Alberto Caeiro.
Como a qualquer génio coloca-se a questão...
Serão as suas criações poéticas e frásicas fruto do acaso ou de uma imensa virtualidade anímica desmaterializada?

Deleitem-se, com a capacidade de filosofar não filosofando:

Para além da realidade imediata não há nada

Nada pensa nada

Pensar é estar doente dos olhos e Pensar incomoda como andar à chuva

As coisas não têm significado, têm existência

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la , comer um fruto é saber-lhe o sentido

É lindo...
Um cinismo puro, incomodativo, para os obcecados da metafísica. Convidam-se os Homens modernos a viver segundo esta vontade descomprometida.