Olha nos espelho, sabes quem és, afinal no fim o que conta e o que sabemos de nos, de cada um e de todos, realmente tentei saber quem era, em cada frase, em cada verso, em cada corrente do mundo, realmente era fácil, parecia simples, olhar a janela e ver, mas quando a lucidez se priva de abstracto e de concreto e se conflui em si mesma, em conflitos inexistentes e és espaços vazios, tomamos o espelho quanto certo, por ser demais e ser tao pouco, e as frases que batem na mente, nao passam de sons vazios, nana nanana na nanaaaa, olha o vazio que sentes e a falta que fazes, tens de saber quem esta ao espelho para tentares conhecer quem o preenche. Por ser demais, por tentar pouco, por partirmos poucas portas e abrirmos poucas janelas ficamos tantas vezes a margem de nos mesmos, a distancia a que nos vemos nos espelhos e ao pouco que nos resta de carne.
Reciprocamente espero partir os espelhos do mundo, rasgar os livros que sobram e olhar para o mar. Se nao souber muito que saiba o bastante para encontrar novas formas de descobrir, nunca a margem, jamais ao longe, porque tudo, sempre tudo, e tao pouco para nos saciar.
Aqui diz-se quando ninguém deixa. Aqui manda-se vir sem os gajos ricos deixarem. Aqui fala-se... E fala-se... Por ser isso que nos mantém vivos
Balelas (ou não) da Rua
Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
domingo, 6 de janeiro de 2013
Estar ( em 5 minutos de espaço)
Naqueles dias em que acordas e reparas no hirto espaço que se vagueia a teu lado, num inoponivel ser que nao te sustenta e a quem nao podes sustentar, acordas mergulhado num silencio profundo, demasiado calmo, demasiado vazio para ser daqueles silêncios que nos dizem palavras e nos abraçam ate nos findarmos. So pensamos que nao esta cá ninguém. Ninguém se senta nesta mesa de café nem nos sorri enquanto percorremos cabisbaixos as ruas por onde já fomos gente. Ninguém sabe, cala e finge, um sorriso e uma arma de guerra, que falha em todas as batalhas.
Faltas aqui, sempre que quero saber dos problemas que te esperam, enquanto relógio nao para e mesmo que pare, quero os teus cinco minutos de luta, de raiva, de frustração, de tudo, de nada, desde que sejam teus. Talvez...
Ao meu ouvido so subsiste o silencio dos dias, já nao me sobra espaço para novas formas de ser gente, estagnado em mares de sargaço, esperando que algo me acorde, por cinco minutos, ou para sempre.
Estamos sempre connosco, por auto controlo, por razão, pela sobrevivência agnóstica da realidade, mas muitas vezes estamos demasiado longe para sabermos quem queremos por perto.
Faltas aqui, sempre que quero saber dos problemas que te esperam, enquanto relógio nao para e mesmo que pare, quero os teus cinco minutos de luta, de raiva, de frustração, de tudo, de nada, desde que sejam teus. Talvez...
Ao meu ouvido so subsiste o silencio dos dias, já nao me sobra espaço para novas formas de ser gente, estagnado em mares de sargaço, esperando que algo me acorde, por cinco minutos, ou para sempre.
Estamos sempre connosco, por auto controlo, por razão, pela sobrevivência agnóstica da realidade, mas muitas vezes estamos demasiado longe para sabermos quem queremos por perto.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Nem Sempre
Nos momentos mais calmos em que paramos a mente em olhos fechados, vendo em nós, somente nós, enquanto o sol sobe no céu, lento e brisculeante, com o seu toque selvagem de quem confere vida até a quem não pediu para viver. Não há mais nada no Universo...
As pequenas ervas dos campos, montes e vales, onde os pombos estivam novas formas de se falar, ligando o mundo a si mesmo, em eternas espirais interdependentes, o som dos espelhos da vida, reflectindo em si mesmo o nascer do mundo na natureza altiva. Não há mais nada no Universo...
Na cidade, onde no banco se sentam os velhos do Restelo, quando o dia acaba, lenta e friamente, sentidno gélidos no corpo, a ausência de um outro alguém que se sinta como nós, quando todos têm calor, todos alegram e manifestam os campos de verdade, nós estamos perante o banco, de costas, de reflexo para os espelhos, esperando nada mais senão o tempo. Não há mais nada no Universo...
Nem sempre esperamos da ordem, o caos que nos faz viver. Há tanto no universo que acontece sem o não, sem o sim dos velhos do jardim, da eterna misericórdia piedosa do povo, há tanto por aí que não nos falta ânimo para perseguir....
As pequenas ervas dos campos, montes e vales, onde os pombos estivam novas formas de se falar, ligando o mundo a si mesmo, em eternas espirais interdependentes, o som dos espelhos da vida, reflectindo em si mesmo o nascer do mundo na natureza altiva. Não há mais nada no Universo...
Na cidade, onde no banco se sentam os velhos do Restelo, quando o dia acaba, lenta e friamente, sentidno gélidos no corpo, a ausência de um outro alguém que se sinta como nós, quando todos têm calor, todos alegram e manifestam os campos de verdade, nós estamos perante o banco, de costas, de reflexo para os espelhos, esperando nada mais senão o tempo. Não há mais nada no Universo...
Nem sempre esperamos da ordem, o caos que nos faz viver. Há tanto no universo que acontece sem o não, sem o sim dos velhos do jardim, da eterna misericórdia piedosa do povo, há tanto por aí que não nos falta ânimo para perseguir....
sábado, 29 de dezembro de 2012
Enquanto nos soubermos de cor
Recosto me neste cadeirão felpudo, escarlate que nem sangue laborando o contorno do meu corpo, enquanto lentamente me afogo nos seus braços, reconfortante o pouco que me sobra de mim, neste vazio aconchegado, falta. A minha mão passa perene no seu braço, querendo encontrar um pouco de ti nele, absorvendo em cada minúscula faixa de pelo hirto o toque suave da tua pele, acariciando a vazia alma que me sustenta, chama me. Vivo destes murmúrios repetidos, estes pequenos enganos de alma, talvez seja cruel, talvez talvez. Enquanto a voz senão me alevanta, a saudade nos inventa, perco o tao pouco que ainda me resta.
De frente para o Tejo, aliciando a ponte com a sua majestosa impotência, prepotente, eloquente,olho so uma vez para ver quão bonita e esta avenida,este espaço recheado de vida e o riso das crianças na calcada,nao podia ser doutra maneira. Mãos vazias, cheias de nada, mundos quadrados e quadros pintados, de tanto nos esquecemos, senão do sorriso, nunca se esquece o sorriso de quem gostamos.
Neste mesmo quarto so comigo e com este cadeirão frágil de memória,aguardo a lua, finda a tarde, que ela entre neste espaço vazio, compadecida Madeira no soalho e vestes vermelhas nas paredes nuas, que a tua voz entre nele como a luz da lua,sonolenta, Nigéria, compadecida comigo.
Neste mesmo cadeirão, assento a tua alma na minha e juntos, abraçados, aguardamos o fim do mundo, hirtos, comparecendo a cada um os desejos de cada qual, solitários e nunca mais sozinhos, aguardamos o fim do mundo, ou o nascer de um novo dia.
Os meus olhos lentos abrem se ao mundo, continuo no cadeirão vermelho, ele esta igualmente sentado comigo, a janela aberta transparecendo um frio que me aquece a solidão, mar manha, talvez um dia venhas nascer ao mar, tecendo o horizonte e laminando a história de uma nova fonte.
Eu nasci noutro lugar donde se vê o mar tecendo o oceano, onde gaivotas voam livres e barcos se fundem a costa.
Vivi nao sei porquê como um barco a mercê dos temporais, sei que o mar nao me escolheu e sei que ele fala de ti, entre dois tragos de vinho, sento me placidamente no mundo a espera que se me finda o tédio que me tenta a ir livre e sem pressa como um rio que regressa ao oceano
Deixemos espaço ao mundo para ele inventar eternas formas de sermos nós, de estarmos sós na companhia de novas gentes...
Ate ao mar lhe faltam barcos a deriva.
De frente para o Tejo, aliciando a ponte com a sua majestosa impotência, prepotente, eloquente,olho so uma vez para ver quão bonita e esta avenida,este espaço recheado de vida e o riso das crianças na calcada,nao podia ser doutra maneira. Mãos vazias, cheias de nada, mundos quadrados e quadros pintados, de tanto nos esquecemos, senão do sorriso, nunca se esquece o sorriso de quem gostamos.
Neste mesmo quarto so comigo e com este cadeirão frágil de memória,aguardo a lua, finda a tarde, que ela entre neste espaço vazio, compadecida Madeira no soalho e vestes vermelhas nas paredes nuas, que a tua voz entre nele como a luz da lua,sonolenta, Nigéria, compadecida comigo.
Neste mesmo cadeirão, assento a tua alma na minha e juntos, abraçados, aguardamos o fim do mundo, hirtos, comparecendo a cada um os desejos de cada qual, solitários e nunca mais sozinhos, aguardamos o fim do mundo, ou o nascer de um novo dia.
Os meus olhos lentos abrem se ao mundo, continuo no cadeirão vermelho, ele esta igualmente sentado comigo, a janela aberta transparecendo um frio que me aquece a solidão, mar manha, talvez um dia venhas nascer ao mar, tecendo o horizonte e laminando a história de uma nova fonte.
Eu nasci noutro lugar donde se vê o mar tecendo o oceano, onde gaivotas voam livres e barcos se fundem a costa.
Deixemos espaço ao mundo para ele inventar eternas formas de sermos nós, de estarmos sós na companhia de novas gentes...
Ate ao mar lhe faltam barcos a deriva.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Ontem
Ontem onde os problemas eram pequenas lágrimas caindo hirtas pelos esgotos da cidade partindo ao rio, que as levaria eternamente ao mar, repousando plácidas nas costas do tempo, deus da vida.
Ontem não sabia que não o dirias, que o silêncio era a tua forma de chegar a mim, de dizeres sem usares a lâmina das palavras, era um jogo tão fácil, a minha mão sobre a tua e o mundo nosso tempo de vida.
Hoje acredito em ontem, acredito com a fé que me resta nos tempos em que o sol brilhava nos erros e o reflexo da tua cara na água era o espelho lívido onde eu renasci, sempre e todas as manhãs à espera para te ver. Desde o primeiro tempo, ao primeiro instante, num ontem muito mais afastado do passado, há coisas que não se dizem nunca, veladas pela mudez que tantos cobre a sede.
Acredito no som. O silêncio é demasiado cheio para ter certezas, mas muito mais profundo, muito mais nosso, tanto mais passado.
Ontem fomos tanto e hoje somos apenas o infinito à espera de tempo.
Ontem não sabia que não o dirias, que o silêncio era a tua forma de chegar a mim, de dizeres sem usares a lâmina das palavras, era um jogo tão fácil, a minha mão sobre a tua e o mundo nosso tempo de vida.
Hoje acredito em ontem, acredito com a fé que me resta nos tempos em que o sol brilhava nos erros e o reflexo da tua cara na água era o espelho lívido onde eu renasci, sempre e todas as manhãs à espera para te ver. Desde o primeiro tempo, ao primeiro instante, num ontem muito mais afastado do passado, há coisas que não se dizem nunca, veladas pela mudez que tantos cobre a sede.
Acredito no som. O silêncio é demasiado cheio para ter certezas, mas muito mais profundo, muito mais nosso, tanto mais passado.
Ontem fomos tanto e hoje somos apenas o infinito à espera de tempo.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Saber em tons de vazio
Pouco sei do que se me passa ao lado, poucas são as razões que me induzem a um estado mais alerta, um super estímulo que me alevante e desprenda da crueldade nua e crua da realidade a que nos apoderámos, poucas são as vezes em que a turbulência da razão me insulta e muitas as vezes em que me ganha.
O conhecimento é tão fraco, quando é que te verei outra vez?, o conhecimento é uma ínfima aprte do desconhecido, aquele tempo em que não sabemos em que volta estamos e por quantas mais continuaremos de mãos dadas à espera que o tempo último nos diga Não mais, quando é que te soltarei deste mundo?, o tempo e o conhecimento são espaços amigos de um mesmo corpo, uma sinérgica melodia entoada em roucos gestos de compaixão perante aqueles que não assumem a perenidade constante da sobrevivência, pagas-te alguma vez da memória?, muitas vezes penso que simplesmente não sei pensar e como sou fraco em sentir, sigo amargo pelo desdém continuo das calçadas do mundo, será que te lembras?, nessas calçadas sei que o vão espaço que me dita a altura nada mais é que a ilusão de um espaço vertical que se ocupa uma vez quando não se tem mais espaço onde respirar, onde ser livre...
Espero um dia descobrir a peça que falta, espero que todos os dias se descubra a peça que falta, enquanto no sempre faltarem peças, a razão deixo-a com deus, que aos homens só lhes cabe o espaço da memória na vã realidade, se existe ou não, agarra-me a mão, só ele não o saberá.
O conhecimento é tão fraco, quando é que te verei outra vez?, o conhecimento é uma ínfima aprte do desconhecido, aquele tempo em que não sabemos em que volta estamos e por quantas mais continuaremos de mãos dadas à espera que o tempo último nos diga Não mais, quando é que te soltarei deste mundo?, o tempo e o conhecimento são espaços amigos de um mesmo corpo, uma sinérgica melodia entoada em roucos gestos de compaixão perante aqueles que não assumem a perenidade constante da sobrevivência, pagas-te alguma vez da memória?, muitas vezes penso que simplesmente não sei pensar e como sou fraco em sentir, sigo amargo pelo desdém continuo das calçadas do mundo, será que te lembras?, nessas calçadas sei que o vão espaço que me dita a altura nada mais é que a ilusão de um espaço vertical que se ocupa uma vez quando não se tem mais espaço onde respirar, onde ser livre...
Espero um dia descobrir a peça que falta, espero que todos os dias se descubra a peça que falta, enquanto no sempre faltarem peças, a razão deixo-a com deus, que aos homens só lhes cabe o espaço da memória na vã realidade, se existe ou não, agarra-me a mão, só ele não o saberá.
domingo, 2 de dezembro de 2012
SAUDAÇÃO A WALT WHITMAN de Álvaro de Campos
Abram-me todas as portas!
Por força que hei-de passar!
Minha senha? Walt Whitman!
Mas não dou senha nenhuma...
Passo sem explicações...
Se for preciso meto dentro as portas...
Sim — eu franzino e civilizado, meto dentro as portas,
Porque neste momento não sou franzino nem civilizado,
Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar,
E que há-de passar por força, porque quando quero passar sou Deus!
Tirem esse lixo da minha frente!
Metam-me em gavetas essas emoções!
Daqui p’ra fora, políticos, literatos,
Comerciantes pacatos, polícia, meretrizes, souteneurs,
Tudo isso é a letra que mata, não o espírito que dá a vida.
O espírito que dá a vida neste momento sou EU!
Que nenhum filho da puta se me atravesse no caminho!
O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim!
Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo, deixa-me ir...
É comigo, com Deus, com o sentido-eu da palavra Infinito...
Prá frente!
Meto esporas!
Sinto as esporas, sou o próprio cavalo em que monto,
Porque eu, por minha vontade de me consubstanciar com Deus,
Posso ser tudo, ou posso ser nada, ou qualquer coisa,
Conforme me der na gana... Ninguém tem nada com isso...
Loucura furiosa! Vontade de ganir, de saltar,
De urrar, zurrar, dar pulos, pinotes, gritos com o corpo,
De me cramponner às rodas dos veículos e meter por baixo,
De me meter adiante do giro do chicote que vai bater,
Por força que hei-de passar!
Minha senha? Walt Whitman!
Mas não dou senha nenhuma...
Passo sem explicações...
Se for preciso meto dentro as portas...
Sim — eu franzino e civilizado, meto dentro as portas,
Porque neste momento não sou franzino nem civilizado,
Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar,
E que há-de passar por força, porque quando quero passar sou Deus!
Tirem esse lixo da minha frente!
Metam-me em gavetas essas emoções!
Daqui p’ra fora, políticos, literatos,
Comerciantes pacatos, polícia, meretrizes, souteneurs,
Tudo isso é a letra que mata, não o espírito que dá a vida.
O espírito que dá a vida neste momento sou EU!
Que nenhum filho da puta se me atravesse no caminho!
O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim!
Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo, deixa-me ir...
É comigo, com Deus, com o sentido-eu da palavra Infinito...
Prá frente!
Meto esporas!
Sinto as esporas, sou o próprio cavalo em que monto,
Porque eu, por minha vontade de me consubstanciar com Deus,
Posso ser tudo, ou posso ser nada, ou qualquer coisa,
Conforme me der na gana... Ninguém tem nada com isso...
Loucura furiosa! Vontade de ganir, de saltar,
De urrar, zurrar, dar pulos, pinotes, gritos com o corpo,
De me cramponner às rodas dos veículos e meter por baixo,
De me meter adiante do giro do chicote que vai bater,
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