Ainda te sentia o bafo ao tabaco seco que tragavas nos anos recentes, aquele travo amargo, ressentido pelas ruas queimadas de uma cidade usada, sem raiz, aquele toque que se contorcia no vermelho imaginário dos teus lábios carnudos, recheados de espamos voluntários como os meus, deus não escolhe que é feliz. Sorrias com o desdém de quem se intriga consigo mesma, uma leveniedade cínica, borrifada de um estrabismo hipócrita, sem queda, de quem sempre viu o reverso das coisas que de reverso so têm alma, atraias ciúme, inveje, não te perdes, eu não te encontro.
Sais te de mansinho, bateu te na porta de madeira comida pelos insetos, não pelo tempo que esse não passa aqui, repetidamente voltavas, caindo uma lágrima seca no soalho perdido, ninguém so marca por prazer, põe batom, reveste as unhas, despe, deus não escolhe quem foi feliz.
Das vezes que voltavas, sussurras as voltas no jazigo obscuro da mediocridade da alma que não vive, subsiste, num ritmado ato continuo de ver no chão o que não se reflete nas estrelas, sol, e partes, e voltas, e sem ires voltas e sem voltares partes, somos sempre incisivos nos cortes que não fazemos, e eu retomo e vou, e volto, e deixo e fico e sem sabor de ti deixo me provar, ir com o vento, dizer que sou, não tenho, conspiro, o destino não se faz de raiz e tu não te tiras sem dizer.
Por isso, desce as escadas, veste te de vermelho, traz do teu perfume, eu levo o piano, não exibas felicidade, nem desdém, sê leve com essa alma toda, não haverá queda, não haverá reverso, haverá piano, sinfonia, vinho quente e a nicotina de sempre, não perdemos pela demora ate que tudo se evapora, no ultimo trago do cigarro que não acedemos, puxa do verniz, não e deus que escolhe que vai ser feliz.
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