Abram-me todas as portas!
Por força que hei-de passar!
Minha senha? Walt Whitman!
Mas não dou senha nenhuma...
Passo sem explicações...
Se for preciso meto dentro as portas...
Sim — eu franzino e civilizado, meto dentro as portas,
Porque neste momento não sou franzino nem civilizado,
Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar,
E que há-de passar por força, porque quando quero passar sou Deus!
Tirem esse lixo da minha frente!
Metam-me em gavetas essas emoções!
Daqui p’ra fora, políticos, literatos,
Comerciantes pacatos, polícia, meretrizes, souteneurs,
Tudo isso é a letra que mata, não o espírito que dá a vida.
O espírito que dá a vida neste momento sou EU!
Que nenhum filho da puta se me atravesse no caminho!
O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim!
Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo, deixa-me ir...
É comigo, com Deus, com o sentido-eu da palavra Infinito...
Prá frente!
Meto esporas!
Sinto as esporas, sou o próprio cavalo em que monto,
Porque eu, por minha vontade de me consubstanciar com Deus,
Posso ser tudo, ou posso ser nada, ou qualquer coisa,
Conforme me der na gana... Ninguém tem nada com isso...
Loucura furiosa! Vontade de ganir, de saltar,
De urrar, zurrar, dar pulos, pinotes, gritos com o corpo,
De me cramponner às rodas dos veículos e meter por baixo,
De me meter adiante do giro do chicote que vai bater,
Aqui diz-se quando ninguém deixa. Aqui manda-se vir sem os gajos ricos deixarem. Aqui fala-se... E fala-se... Por ser isso que nos mantém vivos
Balelas (ou não) da Rua
Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra
domingo, 2 de dezembro de 2012
A Comédia do Ambicioso, de F. Nietzsche
A Comédia do Ambicioso
Um homem que aspira a coisas grandes considera todo aquele que encontra no seu caminho, ou como meio, ou como retardamento e impedimento, - ou como um leito de repouso passageiro. A sua bondade para com os outros, que o caracteriza e que é superior, só é possível quando ele atinge o seu máximo e domina. A impaciência e a sua consciência de, até aqui, estar sempre condenado à comédia – pois mesmo a guerra é uma comédia e encobre, como qualquer meio encobre o fim -, estraga-lhe todo o convívio: esta espécie de homem conhece a solidão e o que ela tem de mais venenoso.
Friedrich Nietzsche, in "Para Além de Bem e Mal"
Um homem que aspira a coisas grandes considera todo aquele que encontra no seu caminho, ou como meio, ou como retardamento e impedimento, - ou como um leito de repouso passageiro. A sua bondade para com os outros, que o caracteriza e que é superior, só é possível quando ele atinge o seu máximo e domina. A impaciência e a sua consciência de, até aqui, estar sempre condenado à comédia – pois mesmo a guerra é uma comédia e encobre, como qualquer meio encobre o fim -, estraga-lhe todo o convívio: esta espécie de homem conhece a solidão e o que ela tem de mais venenoso.
Friedrich Nietzsche, in "Para Além de Bem e Mal"
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Enquanto,
Quando a Chuva cai e toca o teu rosto, e o vento te aperta, podes sentir que tanto se perdeu e tudo ainda cá esta a tua espera. Se sentires a mão vazia e o mundo as costas, terás sempre um espaço fora deste onde as nuvens de chuva so aparecem quando queremos, e a alegria irrompe pelos raios de sol, em pequenos momentos esfuziantes. Sei que a mente esta longe, e que nao estamos perto, mas nao se ira apagar o momento em que conhecemos o espaço impossível de cada um, através de pequenos toques e vazias aproximações, tornamos azul o que nenhuma cor tinha, demos tempo ao que nao criava e vida ao que nunca existiu.
Há momentos inesquecíveis e pessoas que nunca se apaga,, por muito que as outras lhe soprem ventos de mudança, continuam luxuriantes, picollas, pequenas luzes que intensas brilham, nao crepitam mas brilham, nao fazem calor mas brilham, a luz e o caminho que nos afasta das trevas,
E no caminho que se faz a viagem, e so nela nasce o viajante.
Vejamos o dia em cada noite escura, se soubermos que no fim, há eternos recomeços.
Voltemos a estrada que a alma nao espera.
Patria
Patria nao e onde os meus olhos se deitam e onde respiro este bafo quente de uma cidade suja, nao de carros, nao de fabricas, de gente, de fartos andantes de ignorância geral, de leques variados de ostrozidades babulacionantes que enxergam em si mesmos os desejam mais sórdidos de escuridão, apenas falta de luz, quando o sol brilha tanto, tão alto.
Queria que todos mostrassem coragem de um dia, de cada vez, a cada ritmo, ser mais e ser melhor, lutar para que seremos mais, que nos estamos juntos, que nos vamos lutar, estamos aqui até ao fim, na nossa pátria por muito apátrida que seja, há um lar e um vago ritmo so nosso que pretendemos conservar.
Em cada ritmo uma voz e um sentido, um vai e vem infinito de sensações que se expressa numa valorosa e lenta sensação de bem estar, de dever cumprido, de saúde viva e um sentimento áspero de estarmos longe de nos, quando simplesmente nos existimos.
Se nos olharmos hoje ao espelho perdemos tanto, tanta vontade, tanta luta, tanto ar que nos transpira apara fora da atmosfera, um vazio inócuo de espaço, um tempo perdido em cada rugosidade ondulante que nos preenche a pele, como se facadas pequenas nos fossem dadas pelo tempo, cortando devagar, sordidamente, uma lamina afiada, cinzena e húmida, rasgando a carne sem sangue, estamos mais rotos do que parecemos.
Somos a inspiração que faz do mundo um ligar, nao melhor nem pior, so um lugar, além do vazio, além do nao estar e nao pertencer a nada
Pertencemos a nossa própria, sempre e todos os dias, de hoje a te ao fim, pertencemos a nossa pátria, qualquer que ela seja.
Da minha pátria fico o desejo de lutar e o espaço de ousar por tempos que nao este.
Queria que todos mostrassem coragem de um dia, de cada vez, a cada ritmo, ser mais e ser melhor, lutar para que seremos mais, que nos estamos juntos, que nos vamos lutar, estamos aqui até ao fim, na nossa pátria por muito apátrida que seja, há um lar e um vago ritmo so nosso que pretendemos conservar.
Em cada ritmo uma voz e um sentido, um vai e vem infinito de sensações que se expressa numa valorosa e lenta sensação de bem estar, de dever cumprido, de saúde viva e um sentimento áspero de estarmos longe de nos, quando simplesmente nos existimos.
Se nos olharmos hoje ao espelho perdemos tanto, tanta vontade, tanta luta, tanto ar que nos transpira apara fora da atmosfera, um vazio inócuo de espaço, um tempo perdido em cada rugosidade ondulante que nos preenche a pele, como se facadas pequenas nos fossem dadas pelo tempo, cortando devagar, sordidamente, uma lamina afiada, cinzena e húmida, rasgando a carne sem sangue, estamos mais rotos do que parecemos.
Somos a inspiração que faz do mundo um ligar, nao melhor nem pior, so um lugar, além do vazio, além do nao estar e nao pertencer a nada
Pertencemos a nossa própria, sempre e todos os dias, de hoje a te ao fim, pertencemos a nossa pátria, qualquer que ela seja.
Da minha pátria fico o desejo de lutar e o espaço de ousar por tempos que nao este.
Mesmo sem destino
O tempo esta negro comp breu. A Minha decisão esta tomada, se errada e porque certa me parece. Se disser ao mundo que nunca se diz o suficiente porque nas palavras pouco vai da alma humana.
Entre desistir e criar caminhos, que faca os últimos até ao fim dos dias, mesmo que estes me levem a parte alguma, de sítio incerto
Posso ter de voar em círculos, cair de costas com a sensação da gravidade em cada grama de alma, fétida, já podre, de nao conseguir mais ir onde nao se vai. Se vai durar, nao sei, até ao dia que me faltem palavras, ou que diga demais por ouvir de menos, tantos ses e nada daqui levamos.
Mesmo que seja uma perda, ganho eu na magia recôndita de ver expresso em pequenos termos, em vagas oscilações de memórias, ver construído um mundo que nao este, em que chuva cai vazia, em que a nao podemos sentir.
Nao se desiste de batalhas, mesmo em tempos de paz.
Se me levar a lado nenhum, e aí que serei feliz parar criar o espaço onde o tempo se faca meu, so meu, eterno, cheio, útil... A cada estrada o seu viajante, a cada viagem a alma.
Entre desistir e criar caminhos, que faca os últimos até ao fim dos dias, mesmo que estes me levem a parte alguma, de sítio incerto
Posso ter de voar em círculos, cair de costas com a sensação da gravidade em cada grama de alma, fétida, já podre, de nao conseguir mais ir onde nao se vai. Se vai durar, nao sei, até ao dia que me faltem palavras, ou que diga demais por ouvir de menos, tantos ses e nada daqui levamos.
Mesmo que seja uma perda, ganho eu na magia recôndita de ver expresso em pequenos termos, em vagas oscilações de memórias, ver construído um mundo que nao este, em que chuva cai vazia, em que a nao podemos sentir.
Nao se desiste de batalhas, mesmo em tempos de paz.
Se me levar a lado nenhum, e aí que serei feliz parar criar o espaço onde o tempo se faca meu, so meu, eterno, cheio, útil... A cada estrada o seu viajante, a cada viagem a alma.
domingo, 25 de novembro de 2012
Abraça me
Abraça me e esquece as caravelas que estão no mar, apaga do teu sentido o amor que mata e que moí, põe em cada onde um espirito suficientemente leve para nos levar ao céu num unico suspiro, num único toque.
Abraça me como se hoje o mundo se findasse e tudo o que nos e próprio e este momento, único, só e só nosso, de mais ninguém, unidos até que os ventos do inferno apague, esta vil terra que outrora foi luz.
Abraça me para que a saudade de nao nos termos nos fira até ao termo do universo que, como nos, nao tem termo nenhum, e eterno, e longínquo e vasto, embora sozinho, embora escuro, embora estejamos lá e nunca soubemos que alguma fez por lá passamos, juntos e abraçados a espera quedo mundo surtisse luz.
Nem uma palavra se houve enquanto o fogo se ergue sobre as chamas do mar, Antes que o sol se vá, antes que os pássaros deixem se voar, também te direi adeus, como estrela que se despede do céu, como terra que mata as arvores, como céu que oculta a penumbra, sabia o que sao palavras. Antes que o mar se cerre e o ar nos cegue, cairás nos meus olhos uma ultima vez, um recorte magnético e girto do que és e serás sempre, um rosto onde o meu se espelha e um momento onde o meu se torna infinito. Tudo secreto, tudo tão nosso.
Abraça me e se o mundo terminar larga me, encontraremos em outros tempos, outras formas de sermos juntos.
Abraça me como se hoje o mundo se findasse e tudo o que nos e próprio e este momento, único, só e só nosso, de mais ninguém, unidos até que os ventos do inferno apague, esta vil terra que outrora foi luz.
Abraça me para que a saudade de nao nos termos nos fira até ao termo do universo que, como nos, nao tem termo nenhum, e eterno, e longínquo e vasto, embora sozinho, embora escuro, embora estejamos lá e nunca soubemos que alguma fez por lá passamos, juntos e abraçados a espera quedo mundo surtisse luz.
Nem uma palavra se houve enquanto o fogo se ergue sobre as chamas do mar, Antes que o sol se vá, antes que os pássaros deixem se voar, também te direi adeus, como estrela que se despede do céu, como terra que mata as arvores, como céu que oculta a penumbra, sabia o que sao palavras. Antes que o mar se cerre e o ar nos cegue, cairás nos meus olhos uma ultima vez, um recorte magnético e girto do que és e serás sempre, um rosto onde o meu se espelha e um momento onde o meu se torna infinito. Tudo secreto, tudo tão nosso.
Abraça me e se o mundo terminar larga me, encontraremos em outros tempos, outras formas de sermos juntos.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Cavalo Selvagem
Voltamos ao tempo da infância onde o nosso doce olhar se cruzava e as nossas mãos, inocentes de pecado, se juntavam naqueles bancos pequeninos de madeira lívida. Os momentos que nos marcam, sem preço.
Não tens preço, e eu sei quem sou, sei que te posso deixar ir, lentamente, para longe da minha mão.
Que cavalos selvagens me levem para longe, para onde não residem espécies, para onde o mar beija a floresta e a beleza da vida renasce em cada pequeno momento de sofrimento.
Agora que decidiste mostrar mais, nada de saídas fáceis nem de labirintos com sinais de perigo, fazes me sina maior, mas mais amrgo, uma distância imprecisa de alguém que já não se é mais. Imagina o passo rápido dos cavalos embater na relva, levando em pequenos rastos, restos, de vida.
Cavalos Selvagens que me levam para longe, podem levar me ao infinito do universo, onde ar não existe, mas este banco deste jardim, estará sempre onde os meus olhos pousarem e onde a minha memória lutar.
Sei que sonho, por debaixo de tudo isto, estará sempre o mesmo banco de jardim, onde as nossas mãos se encontram sempre, não tenho tempo, a fé sofreu e lágrimas devem cair, vamos torna-los realidade agora, do que depois de existirmos.
Ad eternum, ad infinitum.
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