Balelas (ou não) da Rua

Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra

domingo, 9 de dezembro de 2012

Saber em tons de vazio

 Pouco sei do que se me passa ao lado, poucas são as razões que me induzem a um estado mais alerta, um super estímulo que me alevante e desprenda da  crueldade nua e crua da realidade a que nos apoderámos, poucas são as vezes em que a turbulência da razão me insulta e muitas as vezes em que me ganha.

O conhecimento é tão fraco, quando é que te verei outra vez?, o conhecimento é uma ínfima aprte do desconhecido, aquele tempo em que não sabemos em que volta estamos e por quantas mais continuaremos de mãos dadas à espera que o tempo último nos diga Não mais, quando é que te soltarei deste mundo?, o tempo e o conhecimento são espaços amigos de um mesmo corpo, uma sinérgica melodia entoada em roucos gestos de compaixão perante aqueles que não assumem a perenidade constante da sobrevivência, pagas-te alguma vez da memória?, muitas vezes penso que simplesmente não sei pensar e como sou fraco em sentir, sigo amargo pelo desdém continuo das calçadas do mundo, será que te lembras?, nessas calçadas sei que o vão espaço que me dita a altura nada mais é que a ilusão de um espaço vertical que se ocupa uma vez quando não se tem mais espaço onde respirar, onde ser livre...

Espero um dia descobrir a peça que falta, espero que todos os dias se descubra a peça que falta, enquanto no sempre faltarem peças, a razão deixo-a com deus, que aos homens só lhes cabe o espaço da memória na vã realidade, se existe ou não, agarra-me a mão, só ele não o saberá.


domingo, 2 de dezembro de 2012

SAUDAÇÃO A WALT WHITMAN de Álvaro de Campos

Abram-me todas as portas!
Por força que hei-de passar!
Minha senha? Walt Whitman!
Mas não dou senha nenhuma...
Passo sem explicações...
Se for preciso meto dentro as portas...
Sim — eu franzino e civilizado, meto dentro as portas,
Porque neste momento não sou franzino nem civilizado,
Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar,
E que há-de passar por força, porque quando quero passar sou Deus!

Tirem esse lixo da minha frente!
Metam-me em gavetas essas emoções!
Daqui p’ra fora, políticos, literatos,
Comerciantes pacatos, polícia, meretrizes, souteneurs,
Tudo isso é a letra que mata, não o espírito que dá a vida.
O espírito que dá a vida neste momento sou EU!

Que nenhum filho da puta se me atravesse no caminho!
O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim!
Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo, deixa-me ir...
É comigo, com Deus, com o sentido-eu da palavra Infinito...
Prá frente!
Meto esporas!
Sinto as esporas, sou o próprio cavalo em que monto,
Porque eu, por minha vontade de me consubstanciar com Deus,
Posso ser tudo, ou posso ser nada, ou qualquer coisa,
Conforme me der na gana... Ninguém tem nada com isso...
Loucura furiosa! Vontade de ganir, de saltar,
De urrar, zurrar, dar pulos, pinotes, gritos com o corpo,
De me cramponner às rodas dos veículos e meter por baixo,
De me meter adiante do giro do chicote que vai bater,

A Comédia do Ambicioso, de F. Nietzsche

A Comédia do Ambicioso  

Um homem que aspira a coisas grandes considera todo aquele que encontra no seu caminho, ou como meio, ou como retardamento e impedimento, - ou como um leito de repouso passageiro. A sua bondade para com os outros, que o caracteriza e que é superior, só é possível quando ele atinge o seu máximo e domina. A impaciência e a sua consciência de, até aqui, estar sempre condenado à comédia – pois mesmo a guerra é uma comédia e encobre, como qualquer meio encobre o fim -, estraga-lhe todo o convívio: esta espécie de homem conhece a solidão e o que ela tem de mais venenoso.

Friedrich Nietzsche, in "Para Além de Bem e Mal"

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Enquanto,


Quando a Chuva cai e toca o teu rosto, e o vento te aperta, podes sentir que tanto se perdeu e tudo ainda cá esta a tua espera. Se sentires a mão vazia e o mundo as costas, terás sempre um espaço fora deste onde as nuvens de chuva so aparecem quando queremos, e a alegria irrompe pelos raios de sol, em pequenos momentos esfuziantes. Sei que a mente esta longe, e que nao estamos perto, mas nao se ira apagar o momento em que conhecemos o espaço impossível de cada um, através de pequenos toques e vazias aproximações, tornamos azul o que nenhuma cor tinha, demos tempo ao que nao criava e vida ao que nunca existiu.

Há momentos inesquecíveis e pessoas que nunca se apaga,, por muito que as outras lhe soprem ventos de mudança, continuam luxuriantes, picollas, pequenas luzes que intensas brilham, nao crepitam mas brilham, nao fazem calor mas brilham, a luz e o caminho que nos afasta das trevas,

E no caminho que se faz a viagem, e so nela nasce o viajante.

Vejamos o dia em cada noite escura, se soubermos que no fim, há eternos recomeços.

Voltemos a estrada que a alma nao espera.

Patria

Patria nao e onde os meus olhos se deitam e onde respiro este bafo quente de uma cidade suja, nao de carros, nao de fabricas, de gente, de fartos andantes de ignorância geral, de leques variados de ostrozidades babulacionantes que enxergam em si mesmos os desejam mais sórdidos de escuridão, apenas falta de luz, quando o sol brilha tanto, tão alto.

Queria que todos mostrassem coragem de um dia, de cada vez, a cada ritmo, ser mais e ser melhor, lutar para que seremos mais, que nos estamos juntos, que nos vamos lutar, estamos aqui até ao fim, na nossa pátria por muito apátrida que seja, há um lar e um vago ritmo so nosso que pretendemos conservar.

Em cada ritmo uma voz e um sentido, um vai e vem infinito de sensações que se expressa numa valorosa e lenta sensação de bem estar, de dever cumprido, de saúde viva e um sentimento áspero de estarmos longe de nos, quando simplesmente nos existimos.

Se nos olharmos hoje ao espelho perdemos tanto, tanta vontade, tanta luta, tanto ar que nos transpira apara fora da atmosfera, um vazio inócuo de espaço, um tempo perdido em cada rugosidade ondulante que nos preenche a pele, como se facadas pequenas nos fossem dadas pelo tempo, cortando devagar, sordidamente, uma lamina afiada, cinzena e húmida, rasgando a carne sem sangue, estamos mais rotos do que parecemos.

Somos a inspiração que faz do mundo um ligar, nao melhor nem pior, so um lugar, além do vazio, além do nao estar e nao pertencer a nada

Pertencemos a nossa própria, sempre e todos os dias, de hoje a te ao fim, pertencemos a nossa pátria, qualquer que ela seja.

Da minha pátria fico o desejo de lutar e o espaço de ousar por tempos que nao este.

Mesmo sem destino

O tempo esta negro comp breu. A Minha decisão esta tomada, se errada e porque certa me parece. Se disser ao mundo que nunca se diz o suficiente porque nas palavras pouco vai da alma humana.

Entre desistir e criar caminhos, que faca os últimos até ao fim dos dias, mesmo que estes me levem a parte alguma, de sítio incerto

Posso ter de voar em círculos, cair de costas com a sensação da gravidade em cada grama de alma, fétida, já podre, de nao conseguir mais ir onde nao se vai. Se vai durar, nao sei, até ao dia que me faltem palavras, ou que diga demais por ouvir de menos, tantos ses e nada daqui levamos.

Mesmo que seja uma perda, ganho eu na magia recôndita de ver expresso em pequenos termos, em vagas oscilações de memórias, ver construído um mundo que nao este, em que chuva cai vazia, em que a nao podemos sentir.

Nao se desiste de batalhas, mesmo em tempos de paz.

Se me levar a lado nenhum, e aí que serei feliz parar criar o espaço onde o tempo se faca meu, so meu, eterno, cheio, útil... A cada estrada o seu viajante, a cada viagem a alma.

domingo, 25 de novembro de 2012

Abraça me

Abraça me e esquece as caravelas que estão no mar, apaga do teu sentido o amor que mata e que moí, põe em cada onde um espirito suficientemente leve para nos levar ao céu num unico suspiro, num único toque.

Abraça me como se hoje o mundo se findasse e tudo o que nos e próprio e este momento, único, só e só nosso, de mais ninguém, unidos até que os ventos do inferno apague, esta vil terra que outrora foi luz.

Abraça me para que a saudade de nao nos termos nos fira até ao termo do universo que, como nos, nao tem termo nenhum, e eterno, e longínquo e vasto, embora sozinho, embora escuro, embora estejamos lá e nunca soubemos que alguma fez por lá passamos, juntos e abraçados a espera quedo mundo surtisse luz.

Nem uma palavra se houve enquanto o fogo se ergue sobre as chamas do mar, Antes que o sol se vá, antes que os pássaros deixem se voar, também te direi adeus, como estrela que se despede do céu, como terra que mata as arvores, como céu que oculta a penumbra, sabia o que sao palavras. Antes que o mar se cerre e o ar nos cegue, cairás nos meus olhos uma ultima vez, um recorte magnético e girto do que és e serás sempre, um rosto onde o meu se espelha e um momento onde o meu se torna infinito. Tudo secreto, tudo tão nosso.

Abraça me e se o mundo terminar larga me, encontraremos em outros tempos, outras formas de sermos juntos.