Estamos em lados opostos do mesmo adeus, em distâncias longínquas de um mesmo caminho, cruzado, surdo, em silêncio. Na ponte nada se passa senão o mar, senão o tempo e toda a margem que nos chama para perto. A minha e a tua. Cada passo pesa no corpo, movemos ilhas de gente cada vez que, com uma respiração mais profunda, nos distanciamos um do outro, mais perto da nossa margem...
Preciso que desenhes em gestos o que pintas em imagens.
Preciso que grites com actos o que fazes com as palavras.
Devíamos ter apertado as mãos sempre que víamos o mar, esperando que com o sol se pusesse de vez a distância e este caminho de voltar não fosse de passos mas de silêncios, aqueles nossos, onde os olhos se tocam no horizonte próximo e nos regamos com sorrisos.
Mais perto da margem, mais longe de nós.
Aqui diz-se quando ninguém deixa. Aqui manda-se vir sem os gajos ricos deixarem. Aqui fala-se... E fala-se... Por ser isso que nos mantém vivos
Balelas (ou não) da Rua
Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Sinto-me tentado a usurpar da sua opinião e conjurar um ritmo comum de necessidade que embora extrínseca se leveda na alma e se cospe pelos sentidos numa conjectura incessante de vozes ao silêncio.
Não no longe onde se aparta o barulho, onde as árvores crescem hirtas à força dos ventos do norte, onde o mar reluz o sol numa panóplia azul de tons infinitos, nossos, Não lá onde podemos não nos encontrar, onde não nos conseguiremos perder mais longe, não lá.
Não aqui, onde a cidade nos embraça que nem útero nefasto à propagação humana, veneno circundante de uma cidade morta de gente viva, em mero embaraço de actividades, no trânsito, no trabalho, correndo sem correr pois correr é desejar o infinito é querer estar noutro sítio, não noutra morte.
Sabemos então que não é no sítio onde nos virmos mas nos olhos onde nos perdemos que reside a tortura do infinito.
Não no longe onde se aparta o barulho, onde as árvores crescem hirtas à força dos ventos do norte, onde o mar reluz o sol numa panóplia azul de tons infinitos, nossos, Não lá onde podemos não nos encontrar, onde não nos conseguiremos perder mais longe, não lá.
Não aqui, onde a cidade nos embraça que nem útero nefasto à propagação humana, veneno circundante de uma cidade morta de gente viva, em mero embaraço de actividades, no trânsito, no trabalho, correndo sem correr pois correr é desejar o infinito é querer estar noutro sítio, não noutra morte.
Sabemos então que não é no sítio onde nos virmos mas nos olhos onde nos perdemos que reside a tortura do infinito.
domingo, 29 de setembro de 2013
Sou igual aos meus sentidos
Se a noite se me vê escuro, num genocídico breu de tempos que se repetem se se repetir, quando a noite não se inquieta e as manhãs não nos deixam ouvir, Não oiço o teu cansaço, não sei o teu sentir, perdi na aurora do infinito as ondas em que tu refletias o sorriso que me olhava de esperança. A noite gosta de mim....
Se pedir ao tempo e ao mundo autorização quiçá de viver mais longo de ser mais perto do que o já vivido, de voltar a novas manhãs, não as mesmas, se tudo isto fosse um grito, fecharia os olhos e veria o futuro novo lançado das mãos inocentes que se entrelaçam ao luar. A noite gosta de mim...
Se me sentar no chão da rua, limpidamente cinzento de pedra já usada, esperando que um dia te sentes também e que esse dia seja meu, seja teu, seja o agora, um instante repetido, o teu som com o meu, a tua alma na minha, o tempo igual ao espaço. A noite gosta de mim...
Esperemos pela manhã que a noite já se perdeu em silêncio.
Se pedir ao tempo e ao mundo autorização quiçá de viver mais longo de ser mais perto do que o já vivido, de voltar a novas manhãs, não as mesmas, se tudo isto fosse um grito, fecharia os olhos e veria o futuro novo lançado das mãos inocentes que se entrelaçam ao luar. A noite gosta de mim...
Se me sentar no chão da rua, limpidamente cinzento de pedra já usada, esperando que um dia te sentes também e que esse dia seja meu, seja teu, seja o agora, um instante repetido, o teu som com o meu, a tua alma na minha, o tempo igual ao espaço. A noite gosta de mim...
Esperemos pela manhã que a noite já se perdeu em silêncio.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Como o antigamente das estrelas
Caí o frio na cidade em pleno verão, a memória das coisas sem idade aquece-nos a alma, percorrendo as veias como uma injecção clara de calor, de alegria de espanto surdido num tempo em que os homens vivem sós. O nosso olhar verde como a natureza de Cesário cai apodrecido como as estações, endurecido pelo tempo que viu passar rápido demais e pelas ervas cortadas sem sentido, demasiados relógios sem tempo, demasiado veneno na madrugada. Apenas e só o caminho sem caminhantes, indo longínquos para sítio algum. Não é verdade tanto tampo longínquo, tanto fumo sem sentido, tanta roupa despida sem razão. As nossas madrugadas erguem-se agora pelo gelo dos comboios e dos cafés quentes que já não sabem ao mesmo, perderam o travo que nos sustía no silêncio das coisas, perderam o ânimo de lutar por todas as lutas do mundo. Sabemos que não viemos ao mundo colher flores em jardins tranquilos nem silêncios em espaços fecundos. Viemos sem razão mas viemos atribulados pela mente dos que não se sossegam sós.
Sento-me antes de entrar em palco, longe dos olhos dos espectadores, ainda vejo sentada à minha beira, pessoa sem nome. Olho-me ao espelho enquanto me visto com calma, retocando as pequenas rugas da minha roupa, compondo os cabelos já grisalhos, fiquei a ver aquela imagem já enrugada, onde as mãos já pesam e os ombros já atrofiam a postura. Não era cenário, não tinha cortina, estava demasiado despido de luta para saber gritar. A orquestra entoava os primeiros acordes calmos, o primeiro acto entoava-se em poucas palavras sem raiva, a minha canção sou só eu, não é este o meu espectáculo.
Quando eu voltar, o pano descer, as palmas surgirem, voltarei aqui ao meu camarim, voltarei à minha saudade, quando me despintar e perder no chão as roupas que não são a minha verdade.
Fujo de mim. Tu não estás lá.
Como o antigamente de todas as estrelas, brilham mais quando brilham os olhos de quem as vêem.
Sento-me antes de entrar em palco, longe dos olhos dos espectadores, ainda vejo sentada à minha beira, pessoa sem nome. Olho-me ao espelho enquanto me visto com calma, retocando as pequenas rugas da minha roupa, compondo os cabelos já grisalhos, fiquei a ver aquela imagem já enrugada, onde as mãos já pesam e os ombros já atrofiam a postura. Não era cenário, não tinha cortina, estava demasiado despido de luta para saber gritar. A orquestra entoava os primeiros acordes calmos, o primeiro acto entoava-se em poucas palavras sem raiva, a minha canção sou só eu, não é este o meu espectáculo.
Quando eu voltar, o pano descer, as palmas surgirem, voltarei aqui ao meu camarim, voltarei à minha saudade, quando me despintar e perder no chão as roupas que não são a minha verdade.
Fujo de mim. Tu não estás lá.
Como o antigamente de todas as estrelas, brilham mais quando brilham os olhos de quem as vêem.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Incompleto
Queres concordar comigo, sozinhos aqui, nem tudo o que queremos é tudo o que precisamos?, Sabes que me quero perder na paisagem sem fim, numa melodia triste que um dia tu possas compor sem eu saber, perder-me-ia em cada tecla do piano, desenhando cada símbolo nas linhas direitas em que me desconstróis. Finalmente acredito, ter o peso nas costas do som, saber que precisamos de ser tentados a mais, tentados a perder pequenos pedaços de nós, criando espaço para outros novos se seguirem, construindo em nós mesmos novos sons, novas ultrajantes realidades, novos recomeços seguidos de eternos fins.
Não é tarde para te sentires incompleto, para desejares o mundo e lutares pelo teu, não há dinastia que resista à estabilidade nem subsista sem mudança, a realidade é uma mera modificação constrangida ao sonho dos homens que a fazem, incompletos, inconsiderados, inconsistentes, curiosos... terreno fértil sem fim em pessoas que se findam sem terminar
Não é tarde para te sentires incompleto, para desejares o mundo e lutares pelo teu, não há dinastia que resista à estabilidade nem subsista sem mudança, a realidade é uma mera modificação constrangida ao sonho dos homens que a fazem, incompletos, inconsiderados, inconsistentes, curiosos... terreno fértil sem fim em pessoas que se findam sem terminar
Até ao mar
Perder as rugas que nos trazem pedaços de alma em cada fortificação alheia, em cada cotorno deste corpo gasto, desgastado pela areia do tempo e pelos testes do destino. Irias até ao fim para perder o que não quiseste ganhar, esquecerias a vida sem remorso e sem saudade?
Quisesses ser rio só e irias até onde por um momento de gozo ou uma corrente mais forte onde sentisses cada brisa como um épico momento de dor, uma contracção extenuante do corpo, um prazer totalitário de quem sente mais, de quem sente melhor. Desespero dos corpos, faltas das almas, não olhes oara trás, continua em frente, desiste do tempo, desiste das pontes, nada e corre, sem perder mais que tudo, sem esquecer menos que nada, vai longe, corre, vai longe, não pares, percorre os sítios recônditos dos outros até encontrares aquele que te pertence.
Não pares até encontrares o fim do mar, o término do horizonte e a expansão dos corpos. Irias até lá se soubesses que não te irias encontrar?
Sentes, amas, vives de novo?
Irias mais longe se soubesses que não há fim? Se soubesses que vazio serias mais forte, quem sem ti serias mais?
Irias mais longe se soubesses que afinal te perdeste no início?
Quisesses ser rio só e irias até onde por um momento de gozo ou uma corrente mais forte onde sentisses cada brisa como um épico momento de dor, uma contracção extenuante do corpo, um prazer totalitário de quem sente mais, de quem sente melhor. Desespero dos corpos, faltas das almas, não olhes oara trás, continua em frente, desiste do tempo, desiste das pontes, nada e corre, sem perder mais que tudo, sem esquecer menos que nada, vai longe, corre, vai longe, não pares, percorre os sítios recônditos dos outros até encontrares aquele que te pertence.
Não pares até encontrares o fim do mar, o término do horizonte e a expansão dos corpos. Irias até lá se soubesses que não te irias encontrar?
Sentes, amas, vives de novo?
Irias mais longe se soubesses que não há fim? Se soubesses que vazio serias mais forte, quem sem ti serias mais?
Irias mais longe se soubesses que afinal te perdeste no início?
Sem pé II
Há nela um sossego irrequieto de quem não quer pensar, apenas fluir pelas manhas do tempo caindo nos interstícios uma e outra vez, roçando se vagarosamente no mundo, numa ataraxia fluida, uma espécie de paz, um toque de pranto, saber ser pela eternidade o que a eternidade souber que ela é.
Perdeu-se ali sem se aperceber, ainda há pouco reluzia no Tejo as imagens esvoaçantes do seu vestido em contraluz com um sol ja gasto pela tinta vermelha ocre da ponte que nos leva além margem. Sabia de si própria um estranho sentimento de quem corria contra algo ou para longe de alguém, uma brunirão espiritual que não lhe revirava os olhos, não lhe aquecia o espirito nem levantava mágoa, Sou saudade, disse e ninguém ouviu, Sou esperança, gritou e ninguém escutou, Sou o vazio da existência, e a existência desapareceu com ela.
Largou o que aí vinha sem esperar que algo viesse, turbilhou se no seu proprio corpo, tornando se um estranho espectro de escuridão, uma vagão de carvão prestes a carburar pelo fogos eternos do ser. Contudo, nada foi mais que uma pequena dose de sonho num pouco espaco de corpo, uma pequena luz brilhante saia dela pela pele, ninguém viu, apenas ela, somente os seus olhos vislumbravam, a luz do sol nasce em cada um, em cada noite, em cada segredo guardado.
Perdeu-se ali sem se aperceber, ainda há pouco reluzia no Tejo as imagens esvoaçantes do seu vestido em contraluz com um sol ja gasto pela tinta vermelha ocre da ponte que nos leva além margem. Sabia de si própria um estranho sentimento de quem corria contra algo ou para longe de alguém, uma brunirão espiritual que não lhe revirava os olhos, não lhe aquecia o espirito nem levantava mágoa, Sou saudade, disse e ninguém ouviu, Sou esperança, gritou e ninguém escutou, Sou o vazio da existência, e a existência desapareceu com ela.
Largou o que aí vinha sem esperar que algo viesse, turbilhou se no seu proprio corpo, tornando se um estranho espectro de escuridão, uma vagão de carvão prestes a carburar pelo fogos eternos do ser. Contudo, nada foi mais que uma pequena dose de sonho num pouco espaco de corpo, uma pequena luz brilhante saia dela pela pele, ninguém viu, apenas ela, somente os seus olhos vislumbravam, a luz do sol nasce em cada um, em cada noite, em cada segredo guardado.
Subscrever:
Mensagens (Atom)