Nada mais há por transformar, expostos, desprotegido, vendo em cada um as suas fraquezas e os caminhos ainda não percorridos, sei que ´Longe, sei que faz frio, sabemos que não faria sentido de outra maneira, não seria o mesmo senão assim, esperamos que as ondas nos tragam e nos levem para outro lugar, não fales, senta-te e deixa fluir na margem da face o vento cortante que havia quando tudo começou.
Apenas deixemos ir juntos o que não criámos, desprendendo de cada um as pequenas coisas que nos unem, partilhando cada gesto de frustração num simples momento parado, num simples silêncio sentido, não fales e senta-te, o mundo está prestes a começar e não queremos que arranque sem isto.
Quando no dia a dia faltar a luz e o frio arregalar nos olhos as pequenas gotas de orvalho, só sei que ficamos enquanto se anda, que falamos quando o silêncio é maior e, que sentados, andamos mais longe que muitos outros que correm.
Não digas nada, já sabemos das palavras, nada mais há senão um gesto teu.
Aqui diz-se quando ninguém deixa. Aqui manda-se vir sem os gajos ricos deixarem. Aqui fala-se... E fala-se... Por ser isso que nos mantém vivos
Balelas (ou não) da Rua
Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Azul
Olhos nos olhos, na distância, está frio, cada vez mais, longe, nos outros dias que a memória guarda, onde ainda restam os sons de onde nascemos, o lago que nunca vimos, a primeira viagem, o primeiro sorriso triste, Não te preocupes, o primeiro tocar de mãos, e um rasto impreciso de quem não se quer deixar seguir, de quem se quer deixar no tempo, guardado numa pequena caixa de memórias, fechada, secreta, donde um dia nasceu um novo ser, somos novos, sem idade se juntos, sem tempo se fora do tempo nos separamos, Não te preocupes, tudo muda mas tudo fica igual, há um plano para, para, para nunca saber parar.
Não te preocupes, no limite do céu, és a terra donde se nasce.
Não te preocupes, no limite do céu, és a terra donde se nasce.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Continua
Não há conclusões que nos façam a medida, nem simples frases que nos encham o ego, apenas confusões e ilusões que nos trazem vento demais a desertos calmos, Sabes o que tiras disto tudo?, que há luz em qualquer escuridão e ruído em qualquer multidão, há sempre ecos nas passagens mais obscuras e silêncio nas mais vagarosas, Porque lutamos?, porque só assim faz sentido, porque só assim é verdade, estar perdido, ser encontrado por quem está perto e esquecer, saber que há uma maneira de chegar lá, ter os sonhos do mundo sem ser no mundo nos sonhos, simplesmente saber que na distância do esforço há o sucesso da verdade, já não somos novos, a idade cresce, contudo, somente enquanto o tempo não matar, a cabeça souber pensar e a nossa força conseguir mover todas as montanhas do mundo, continuamos jovens, continuamos a ser a luz da nossa escuridão, a força das nossas ações e o poder de recusa de tudo o que não for feito por verdade.
Com isto se há de continuar...
Com isto se há de continuar...
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Até Já
Está demasiado frio hoje, o café não me aquece, o fumo não me enche, a noite reluz levemente numa pequena lasca de dia a bruxulear pelo horizonte, quem diria que serias tanto, olhamos para trás e fica sempre um espaço pequeno, só nosso, por preencher, um receio de não ter dito tudo, um sonho ao acordar, damos as mãos e tudo faz sentido, o mundo para ou simplesmente somos nós que paramos para o mundo e olha-me, uma última vez, o contorno é o mesmo, o castanho o teu, secreto, reticente, feliz, apenas quem nos conhece sabe ler o que ninguém ousou ainda escrever.
Chegou o momento, onde a gente fracassa, onde a única coisa é coisa nenhuma, não sabia que podias ser tudo, há medo, não interessa, encontro-te na escuridão e juntos seremos luz, procuro-te no silêncio e juntos teremos voz, desenlança as mãos e não esperes, cada toque teu é eterno, apenas tu podes ser sorriso, apenas tu podes...
Tudo roda, a visão fica turva, o fumo enche a sala, não sabemos como, já nos perdemos onde.
Nós não temos sítio, já não somos tempo, não temos espaço, falta o ar, o medo vem. Tremes, tremo, não sei que dizer, sei-te olhar e desejar sempre ser o espelho dos teus olhos, a chave de todas as portas, a janela de todo o tempo. Cala, fica, foge e não esqueças...
Temos o infinito e tudo o que quisermos dele será nosso.
Até lá, até já. Sempre.
Chegou o momento, onde a gente fracassa, onde a única coisa é coisa nenhuma, não sabia que podias ser tudo, há medo, não interessa, encontro-te na escuridão e juntos seremos luz, procuro-te no silêncio e juntos teremos voz, desenlança as mãos e não esperes, cada toque teu é eterno, apenas tu podes ser sorriso, apenas tu podes...
Tudo roda, a visão fica turva, o fumo enche a sala, não sabemos como, já nos perdemos onde.
Nós não temos sítio, já não somos tempo, não temos espaço, falta o ar, o medo vem. Tremes, tremo, não sei que dizer, sei-te olhar e desejar sempre ser o espelho dos teus olhos, a chave de todas as portas, a janela de todo o tempo. Cala, fica, foge e não esqueças...
Temos o infinito e tudo o que quisermos dele será nosso.
Até lá, até já. Sempre.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
T.U.D.O.
É te dada vida, um pequeno bafo de desejo, um enorme sentido de misericórdia, sem fontes, nem correntes, apenas uma correte vazia de espaço, sem caminhos, ou destinos marcados, terra virgem, a tua cabeça roda e não sabes, és tudo à tua volta, simplesmente tu, simplesmente à tua volta, não sabes onde estás nem quem és, o silêncio espalha-se e as tuas portas fecham-se, não estás perdido, és simplesmente só, sentido contigo numa sinfonia simples, apenas, não é fácil?, não é justo?, és tudo mas tens um dom omisso,
Não poder ser tudo sem nada!
Perder
Há que largar a espada, deixar as armas cair num gesto de rendição, esquecer o que se passou e ver a chuva pelas portas já fechadas, dormir, e escolher olhar para o mar infinito, talvez por escolha, talvez pelo tempo que perdemos ao não ter tempo, deixar ir o que não tem nada para ficar e saber que alimentar o vazio só o faz crescer.
Quanto se precisa? Quanto basta? Não se corta e corre, não se larga e deixa, às vezes deixas-te ir com o vento, cego para ver e o dano está feito, não esperas, não calas, não, enches de nãos todos os sins possíveis, queimas-te por dentro, os olhos ardem e não vês o regresso inteiro de quem nunca mais irá voltar.
Não é tarde, simplesmente já não é tempo para ter mais, para ter simplesmente, da janela vemos o mar calmo, e no canto ficam os sonhos que escrevemos, ficam os espaços onde passamos e o meu corpo corre para um sossego escuro, Nunca é o fim, dou-te um último beijo no ombro, deixas-te ir e contra mim vais, uma última lágrima cai, um último sorriso nasce, Nunca acaba o que o fim não consegue terminar.
Quanto se precisa? Quanto basta? Não se corta e corre, não se larga e deixa, às vezes deixas-te ir com o vento, cego para ver e o dano está feito, não esperas, não calas, não, enches de nãos todos os sins possíveis, queimas-te por dentro, os olhos ardem e não vês o regresso inteiro de quem nunca mais irá voltar.
Não é tarde, simplesmente já não é tempo para ter mais, para ter simplesmente, da janela vemos o mar calmo, e no canto ficam os sonhos que escrevemos, ficam os espaços onde passamos e o meu corpo corre para um sossego escuro, Nunca é o fim, dou-te um último beijo no ombro, deixas-te ir e contra mim vais, uma última lágrima cai, um último sorriso nasce, Nunca acaba o que o fim não consegue terminar.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Começar de Novo II
Há uma tempestade lá fora e os teus cabelos são negros como ela, a tua boca carregada como as nuvens negras do céu, um criança tropeça, inocente, depois de correr, antes de sentir, uma criança tropeça dentro de ti e eu perco-me nela, a noite vem e leva-te como se não voltasses, como se não deixasses, e por nuvens e além nuvens, um mar profundo e um silêncio constante, a tua boca cala, o teu corpo consente, e indo mais longe que os homens fomos tudo menos deuses, não voltamos onde o mundo principia, não voltamos porque há viagens que só de uma partida são feitas.
E começas de novo, quando de manhã o sol nasce cedo e as gaivotas voam, brancas, por cima do rio, trazendo consigo o barulho dos motores, o céu que despreza a morte, o riso do tempo, o sonho que apenas desenhamos no tempo.
No último tempo, na despedida, vale a pena ter amanhecido, ter perdido, ter fascínio, deixando ir nas esporas do tempo a confiança cega dos sobreviventes, a mancha eterna dos prisioneiros, ter-me conhecido e perdido, ter me corrido nas manhãs, contar comigo...
Vale a pena se no começo existir princípio, se num fim existir silêncio....
E começas de novo, quando de manhã o sol nasce cedo e as gaivotas voam, brancas, por cima do rio, trazendo consigo o barulho dos motores, o céu que despreza a morte, o riso do tempo, o sonho que apenas desenhamos no tempo.
No último tempo, na despedida, vale a pena ter amanhecido, ter perdido, ter fascínio, deixando ir nas esporas do tempo a confiança cega dos sobreviventes, a mancha eterna dos prisioneiros, ter-me conhecido e perdido, ter me corrido nas manhãs, contar comigo...
Vale a pena se no começo existir princípio, se num fim existir silêncio....
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