Um teimoso sorriso, sobe pelas escadas devagar, hirto pela dor que transporta e no cimo mais alto de si mesmo vangloriza o mar que outrora rasgou, nas pequenas margens que deu, aos grandes oceanos onde nunca chegou, e tudo com isto passa ingloriosamente, chegando a vales profundos e ocos mistérios, onde pequenos mundos dormem e outros se deixam mirar em barcos vazios, sem rumos, sem derivas, em todas as margens onde nunca nos vimos, em todos os portos que não abandonámos, desce um véu de silêncio por dentro de ti, deixa, assim, ir, sem teres medo de te perderes outra vez, sem medo de teres nos vales o silêncio da gente, o grito do eco, pede-me que vá e irei, que fale e gritarei, ficaremos assim perdidos um no outro até aos dias se perderem connosco, crescendo dedos finos, embalando o destino que é só nosso e deixa,
deixa-te ir
no meu canto vou contigo, pede-me a viagem e dar-te-ei o mundo, já não há silêncio que quebre a luz, ou palavra que traga escuridão,
deixa-te, deixo-me
somos nossos
Aqui diz-se quando ninguém deixa. Aqui manda-se vir sem os gajos ricos deixarem. Aqui fala-se... E fala-se... Por ser isso que nos mantém vivos
Balelas (ou não) da Rua
Nem tanto ao Mar, nem tanto à Terra
terça-feira, 10 de novembro de 2015
domingo, 20 de setembro de 2015
Maugham
Gastámos tudo, gastámos o silêncio nos becos, os olhos com o sal de lágrimas que caíam sem sentido, gastámos as algibeiras de procurar o que nunca existiu, gastámos o ar com o bafo de muitos cigarros sem sentido, e as palavras com os poucos significados que lhas damos, a verdade com as vezes que duvidámos dela e as muitas outras em que não as usamos. Gastamos os segredos com a luz da manhã, o oceano com o pouco dos olhos de tantos outros que o miravam, a solidão com a companhia de ninguém e a multidão ao não acontecer nada.
Antes que de tudo se faça nada, tenho a certeza que todas as coisas estremecem, todo o mundo se finda por segundos, no silêncio de uma lágrima, com a voz mais trémula, não há mais nada a dar, não há mais garra a sentir, estão gastas!
E quando tudo faltar, sabes que de ti faltará também tudo, o passado é inútil, a vida está gasta
Adeus a Maugham e a todos os que dele falaram
Antes que de tudo se faça nada, tenho a certeza que todas as coisas estremecem, todo o mundo se finda por segundos, no silêncio de uma lágrima, com a voz mais trémula, não há mais nada a dar, não há mais garra a sentir, estão gastas!
E quando tudo faltar, sabes que de ti faltará também tudo, o passado é inútil, a vida está gasta
Adeus a Maugham e a todos os que dele falaram
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Naufrágio
Pus os meus sonhos num barco à vela, já de toque envelhecido pelos raios de sol, já com a madeira pisada, riscada, por todas as viagens que cruzou, enchi o mundo em si, coloquei-lhe com as mãos molhadas do azul das ondas, queimando ao pouco o toque pelo soalho rispido da madeira, e a areia que escorre dos dedos fica nos espaços ocos do vento de longe, as velas tremem aos primeiros raios da noite, debaixo da água, o casco rompe lento, morrendo a cada batida, chorando em cada maré, no que for preciso a vela remesce, treme e chega ao fundo do tempo e o sonho chega ao silêncio.
Choram agora as ondas ao ver o barco partir, crescendo consigo pelo horizonte do porto e no fundo do tempo, ao fundo do mar, chegam os sonhos que desapareceram.
No fundo do mar fica, tudo o que o vento já não consegue alcançar.
Naufrágio.
Choram agora as ondas ao ver o barco partir, crescendo consigo pelo horizonte do porto e no fundo do tempo, ao fundo do mar, chegam os sonhos que desapareceram.
No fundo do mar fica, tudo o que o vento já não consegue alcançar.
Naufrágio.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Conhecer
É preciso muito para saber, de que são feitos os Homens, de que matéria se enchem as estrelas quando brilham, de que cor tem o mel ao reluz do sol, como voa o oceano pelas correntes do mundo, é preciso dar, precisar de ajuda, ser tu mesmo, e de relance, preencher o mundo de toque, de visões solitárias, de tudo mesmo quando não se tem nada, porque é prciso muito para perceber, muito para ter a distância correcta do sonho e do real, da terra e do céu, do ser e do ter, para se perceber com o sentido certo o sentido das coisas, mesmo as erradas. As crianças e os adultos, precisam de dar muito, de pedir mais, de ser tudo e ter na perspetiva do imediato o tempo inteiro do espaço para, lentamente, ir desvendando os pequenos espaços intrínsecos das coisas, o vislumbre nulo dos olhos sujos do mundo e ir tocando com a alma os dedos gastos das obras do dia, vivendo em cada segundo a vida inteira das horas, notando, a cada pequeno gesto, a cada simples movimento, um sossego desassossegado do que o corpo precisa para não ser só, somente, um corpo, uma obra cara de vazio conteúdo. De que tens medo de perder, o que pensas se te perderes, o que sentes se te custar saber, que sacrilégio, que pecado, que dor, que amargura, que perdas de alma maiores e que silêncios tortuosos te chegam?
É preciso muito para se ter e muito mais para se ser quem tem.
É preciso muito para se ter e muito mais para se ser quem tem.
quarta-feira, 27 de maio de 2015
De Noite
Manténs as tuas preces por dentro pode ser que lá te curem, ouves enquanto correm pelo teu sangue devagar, entrando em soluços pelos mais profundos órgãos do corpo, entrelançando-se, amordaçando, e contorcendo cada parte de si num silêncio, numa quebra de fé, uma vez encontrei a paz e ela sorriu-me de desdém, vestia de branco, sorria, emanava música, pedia um toque de silêncio, era vaga e, depois, virou as costas, partiu, não me chamou, disse-me que perto teria respostas, não desistisse.
De noite, não se dorme enquanto o amanhã fica na penumbra do tempo, no breu do escuro, cada um na sua corrida, cada esperança no seu cavalo, não há respostas, não há perguntas,
Corre, destrói, arranca, parte, grita, solta,
A paz de longe sorri e sabe que cada voo é único, cada choque mortal, cada toque especial, um dia voára com quem perdeu as asas no caminho,
De noite não, esta noite não.
De noite, não se dorme enquanto o amanhã fica na penumbra do tempo, no breu do escuro, cada um na sua corrida, cada esperança no seu cavalo, não há respostas, não há perguntas,
Corre, destrói, arranca, parte, grita, solta,
A paz de longe sorri e sabe que cada voo é único, cada choque mortal, cada toque especial, um dia voára com quem perdeu as asas no caminho,
De noite não, esta noite não.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
ArMas
E mais uma queda e levantas-te de manhã, não conquistaste o espaço, não deixaste a guerra, e no nosso mundo sem armas, amas o que mais tens que amar e sem grandes multidões à deriva, confias no silêncio que não tens, continuas a lutar por ti, e para lá dessa pele rija e sorriso suave, está um mundo de letras por juntar, um mundo de frases por construir que, quando ordenadas placidamente no sentido último das coisas nenhumas, será no sentido único, o único sentido de sentires coisa alguma. Ficas de olho aberto pela noite, não sabes se sobrevives, não sabes se alguém te salva, e queres a vida, queres que alguém te salve mas é difícil escolher o certo, quando não se sabe o que é errado, irado, e com pele rija e coração. lutas, não me verás cair em pedaços nem destruir em sonhos, não saberás ver onde caio e muito menos de onde me levanto, não verás de mim parte fraca do que não sou, nem sonho sonhado do que não fui.
Puxa, aperta, corre, cega, não verás cair quem sempre se levanta, não perderás a guerra com quem de armas não precisa.
A maior arma é ter no dia inteiro o infinito do tempo para te ter.
Puxa, aperta, corre, cega, não verás cair quem sempre se levanta, não perderás a guerra com quem de armas não precisa.
A maior arma é ter no dia inteiro o infinito do tempo para te ter.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Mudança
Não sabes o que se passa mas tudo muda, todas as pessoas mudam, dizes-me que não sabes sobre a vida mas quando se pensa um pouco sobre tudo, é tanta a dúvida que só podemos ter certezas, corre, morde e parte, a dor que temos nos olhos é o não saber do porquê da mudança, então, pelo corredor do tempo, quando tentas perceber o que é isto, quando te mexes apenas para ficar, quando simplesmente sabes que não sabes, tudo muda e só o teu nome fica, e só o teu ar fica, já passaste por tantos sonhos e adormeceste em tantos pesadelos, não parece certo que tudo mude, então quando o tempo passar e tentares perceber o que és, quando ficares não ficares no jogo mas criares o teu, quando tudo mudar e ficar simplesmente igual, quando, quando, quando,....
Então, o quando é teu, o momento nosso e o jogo o que decidirmos jogar hoje.
Precisas de começar por algum lado? É aqui que sonhámos, o simples de ter aqui tudo, estamos a ver o tempo passar e precisamos de nos agarrar para não passar, e o vento corta, o começo parte, e nós vamos, apenas para um sítio, longe, pode ser o fim de nada e o começo de todo, onde apenas eu e tu sabemos, onde apenas eu e tu podemos estar. Simples coisas, deixa-te ir e começa!
Então, o quando é teu, o momento nosso e o jogo o que decidirmos jogar hoje.
Precisas de começar por algum lado? É aqui que sonhámos, o simples de ter aqui tudo, estamos a ver o tempo passar e precisamos de nos agarrar para não passar, e o vento corta, o começo parte, e nós vamos, apenas para um sítio, longe, pode ser o fim de nada e o começo de todo, onde apenas eu e tu sabemos, onde apenas eu e tu podemos estar. Simples coisas, deixa-te ir e começa!
Temos tanto
Temos tanto...
Dois pássaros a voar, duas mãos juntas e a janela aberta sobre o horizonte, as certezas que ninguém perguntou e o silêncio disse, o que voa na recordação e ter tudo por dizer, todos os dias e a vida não chega, há um céu e um mar, um infinito por descobrir, uma terra por explorar, o que se escreveu é sempre linha branca do que ainda não está escrito e, devagar, o tempo passa mas não por nós, há tanto para contar, tanto para viver, tanto para amar, e a vida não chega. O tempo aqui parou e a saudade ficou, é hora, não é desencontro, não é silêncio, é toque e vida, é voltarmos sempre ao sítio de onde não saímos.
E ficamos... Temos tanto que tudo parece tão pouco.
Dois pássaros a voar, duas mãos juntas e a janela aberta sobre o horizonte, as certezas que ninguém perguntou e o silêncio disse, o que voa na recordação e ter tudo por dizer, todos os dias e a vida não chega, há um céu e um mar, um infinito por descobrir, uma terra por explorar, o que se escreveu é sempre linha branca do que ainda não está escrito e, devagar, o tempo passa mas não por nós, há tanto para contar, tanto para viver, tanto para amar, e a vida não chega. O tempo aqui parou e a saudade ficou, é hora, não é desencontro, não é silêncio, é toque e vida, é voltarmos sempre ao sítio de onde não saímos.
E ficamos... Temos tanto que tudo parece tão pouco.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Baixa a luz
Passa o dia devagar, onde a luz renasce de manhã e nos faz esquecer o tempo, há coisas que não o têm, é tudo tão maior aqui, é tudo tão maior quando estás aqui, a pouco e pouco o jogo avança, o medo faz-nos sós, o tempo passa e não fugi, não fugiste, não está frio, a luz fica e tu também, e nos conformes da manhã que avança, onde tudo o que é meu e não sei largar, tudo o que é teu e não queres largar, vem, e deixa vir o que com a água vier, não haverá o último a cair, não se pode perder quando estamos a ganhar.
Em todo o tempo que julguei existir, não houve tempo algum que contasse até ao dia, pois tudo o que é meu, e teu, é nosso, não sei largar, não o sabes, rasga o escuro, deixa a chuva cair e lavar consigo o que dói, não se vai perder, quando finalmente encontraste o que julgavas não existir,
Em todo o tempo que julguei existir, não houve tempo algum que contasse até ao dia, pois tudo o que é meu, e teu, é nosso, não sei largar, não o sabes, rasga o escuro, deixa a chuva cair e lavar consigo o que dói, não se vai perder, quando finalmente encontraste o que julgavas não existir,
Baixa a luz, há brilho que chegue para termos caminho para a vida.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Risco
É aceitar o risco.
Tudo na vida tem duas medidas, dois sentidos, duas formas analogamente opostas que se transitam em sentidos distintos, e tudo é mensurável mesmo que sem medidas. Entre o ir e o voltar, entre o aqui e o ali, há o espaço insensato do tempo, o intervalo da distância e o medo da rendição.
Depois rendemo-nos, deixamos, para viver de novo, para ir mais longe. Para esta viagem há que não levar bagagem, há que deixar a roupa noutro corpo, a mala no seu lugar, e ir, simplesmente nu de tudo, sem qualquer rasto de civilização e render o corpo e a alma ao tempo, deixar ir com ele tudo, apostar numa só casa, voar tudo numa só vez, para chegar aí.
É aceitar o risco.´
É saber que a casa pode cair, que os braços se podem perder, que o voou pode ser curto e a estrada perdida, ter na memória o instante do mundo, o receio do eterno, o medo na sua inconstância sádica e mesmo assim render-se por completo.
É aceitar o risco.
De juntar mil sonhos num só e todos os passos num caminho.
Tudo na vida tem duas medidas, dois sentidos, duas formas analogamente opostas que se transitam em sentidos distintos, e tudo é mensurável mesmo que sem medidas. Entre o ir e o voltar, entre o aqui e o ali, há o espaço insensato do tempo, o intervalo da distância e o medo da rendição.
Depois rendemo-nos, deixamos, para viver de novo, para ir mais longe. Para esta viagem há que não levar bagagem, há que deixar a roupa noutro corpo, a mala no seu lugar, e ir, simplesmente nu de tudo, sem qualquer rasto de civilização e render o corpo e a alma ao tempo, deixar ir com ele tudo, apostar numa só casa, voar tudo numa só vez, para chegar aí.
É aceitar o risco.´
É saber que a casa pode cair, que os braços se podem perder, que o voou pode ser curto e a estrada perdida, ter na memória o instante do mundo, o receio do eterno, o medo na sua inconstância sádica e mesmo assim render-se por completo.
É aceitar o risco.
De juntar mil sonhos num só e todos os passos num caminho.
quarta-feira, 25 de março de 2015
Fechar Lisboa
Entraste no avião primeiro, com um último sorriso perto do meu, aquele até já foi tão longo, tão metálico que ainda hoje se passeia por dentro da alma, roçando nos cantos uma pequena ferida que não se finda, reacende como uma pequena luz, lembrando que ainda, lembrando que já, e tudo mudou e nada ficou diferente. Foste, deixaste aqui um rasto de saudade, um conjunto de lágrimas guardadas para ocasiões especiais, como as roupas bonitas para casamentos, ou os doces mais gulosos para festas, deixaste-as guardadas para os dias mais escuros, para que uma luz pudesse mostrar o caminho para casa e fossem pirilampos esses tempos, gotas essa luz, e tudo faria sentido quando perdessemos a ausência do mesmo.
O tempo passou, o tempo passa sempre como o ar, nasce de manhã, sentindo o despertar, os pequenos gestos que sei que fazes em direção ao céu, os pequenos sons que te dizem bom dia e o olhar que se recente da luz, da nossa. O mesmo de sempre, mesmo sem o sempre de alguma vez ter sido o sempre de sempre, sei que o é.
Existe algo, não sei o quê, uma criança perdida pela margem, por todas as margens do mundo, que corre perdida, que corre sem cansar, com um sorriso tonto e uma lágrima bruxuleante, uma criança que, não sabendo para onde vai, só quer saber onde não fica e corre, e procura, e lança-se pela estrada, às vezes caindo, outras vezes saltando, ela sabe que no fim, se houver, melhor, sabe que no instante último do caminho, haverá um novo e esse será maior que todos os outros caminhos que se correm sem percorrer.
Agora entro eu. Olho para trás e fica um pouco de mim, uma saudosista mágoa como sempre, um sentido de mudança de não ser quem o viu nascer, o não saber se, o querer também e todas as formas incompletamente sintáticas do mundo que aqui podia ser encriptadas, um simples e conclusivo mas que por nunca concluir, nunca é simples e por nunca ser simples, um mas é complexo, nunca conclui, e neste circulo de mas se fazem os homens que decidem sem contudos. O que vier daqui será desafio, uma nova terra e um novo ser, nós não somos mais viajantes, somos a viagem que um dia sonhámos ser.
Fechar Lisboa.
E abrir com ela os mas do mundo.
O tempo passou, o tempo passa sempre como o ar, nasce de manhã, sentindo o despertar, os pequenos gestos que sei que fazes em direção ao céu, os pequenos sons que te dizem bom dia e o olhar que se recente da luz, da nossa. O mesmo de sempre, mesmo sem o sempre de alguma vez ter sido o sempre de sempre, sei que o é.
Existe algo, não sei o quê, uma criança perdida pela margem, por todas as margens do mundo, que corre perdida, que corre sem cansar, com um sorriso tonto e uma lágrima bruxuleante, uma criança que, não sabendo para onde vai, só quer saber onde não fica e corre, e procura, e lança-se pela estrada, às vezes caindo, outras vezes saltando, ela sabe que no fim, se houver, melhor, sabe que no instante último do caminho, haverá um novo e esse será maior que todos os outros caminhos que se correm sem percorrer.
Agora entro eu. Olho para trás e fica um pouco de mim, uma saudosista mágoa como sempre, um sentido de mudança de não ser quem o viu nascer, o não saber se, o querer também e todas as formas incompletamente sintáticas do mundo que aqui podia ser encriptadas, um simples e conclusivo mas que por nunca concluir, nunca é simples e por nunca ser simples, um mas é complexo, nunca conclui, e neste circulo de mas se fazem os homens que decidem sem contudos. O que vier daqui será desafio, uma nova terra e um novo ser, nós não somos mais viajantes, somos a viagem que um dia sonhámos ser.
Fechar Lisboa.
E abrir com ela os mas do mundo.
quarta-feira, 4 de março de 2015
Saber sempre onde me espera
O mundo cai, fragmenta-se em pequenos pedaços, uma folha queimada, desfiando-sem em poucos tragos, pequenos golos de saudade, grandes tragos de nostalgia, um simples eco do ego que nos deixa passar, um pequeno toque no ombro e um novo riacho que nasce para ti, uma pequena criança que cai aos primeiros passos, inquieta e já sem mãos, cai, deixa-se ficar no chão, pedra com pedra, e o mundo é escuro e escuro é o mundo agora para ela, nada mais, só silêncio, só eco, um toque no ombro e um não calar, um romper de estribeiras e um soluço incompleto, e tudo renasce. De uma pequena bresca do destino, de uma fração de escuridão nasce um relance de luz, pequena, tremendo, e cresce, e magnifica, e solta, e relança e faz e cria e és tu, e aquela criança pequena, caída, ergue a face manchada, os olhos cheios, a bochecha rosada, devagar, ergue, agarra-se ao que vem e não passa, apenas ao que não passa, puxa, força, luta, constrói, e segue.
De novo, treme, estremece, sente um arrepio e acende-se de novo nela a alma dos que outrora descobriram mares e criaram terras e simplesmente corre até ao fim, com uma lágrima evaporada e um sorriso na face pois sabe sempre onde lhe espera a luz que lhe tira da escuridão dos homens.
De novo, treme, estremece, sente um arrepio e acende-se de novo nela a alma dos que outrora descobriram mares e criaram terras e simplesmente corre até ao fim, com uma lágrima evaporada e um sorriso na face pois sabe sempre onde lhe espera a luz que lhe tira da escuridão dos homens.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Universo
Fica a saber que a verdade não é universal, verás pessoas a ir, pessoas que não querias a ficar, quem te deixe na ponte, ou a atravesse contigo, acede ao que podes, não sejas claro nem demasiado obtuso, a luz vai-se percorrendo e um dia fará sentido, porque quando for demasiado tarde e souberes do teu lugar, que será de ti e do teu universo?
Dentro das pequenas vidas das grandes ideias, levas com a bagagem do passado e as lágrimas de hoje, deixas cair os segredos e esperas por melhores dias, deixas a melancolia e gritas, fazes um caminho e deixas-te ir, percorres estradas e não apagues rastos, quando deixar a tua guarda e desmontares o teu castelo, um dia fará sentido, saberás de ti e do teu universo?
Não controlas, não fazes, deixa o cosmos lá longe e mexe-te, fica no teu lado da estrada e anda como um louco, corre sem destino, deixa-te ser o vento e o caminho, o viajante e o pária, sozinho ou com quem quiseres, o caminho é teu, o universo é nosso,
Quando estiveres longe, sem alma, terás o teu universo.
Será isso que pretendes?
Dentro das pequenas vidas das grandes ideias, levas com a bagagem do passado e as lágrimas de hoje, deixas cair os segredos e esperas por melhores dias, deixas a melancolia e gritas, fazes um caminho e deixas-te ir, percorres estradas e não apagues rastos, quando deixar a tua guarda e desmontares o teu castelo, um dia fará sentido, saberás de ti e do teu universo?
Não controlas, não fazes, deixa o cosmos lá longe e mexe-te, fica no teu lado da estrada e anda como um louco, corre sem destino, deixa-te ser o vento e o caminho, o viajante e o pária, sozinho ou com quem quiseres, o caminho é teu, o universo é nosso,
Quando estiveres longe, sem alma, terás o teu universo.
Será isso que pretendes?
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Deixa te ir, algo faz me sempre voltar a ti, nunca sabendo a muito, nunca enchendo os olhos, por muito longe, ainda te sinto na manha, que me agarras sem tocar, que ficas sem mudar, nada faz mais sentido que nos afogar,os no amanha e irmos, livres, sem cair, aqui estamos, altos, como e suposto estarmos, como so nos sabemos ser.
Não somos frágeis, não pensamos mas assim que o chão treme, que o vento passa e o mundo ameaça parar de girar, sabemos que, nada muda, tudo se transforma e que a nossa gravidade nos leva ao infinito do tempo, aqui, nada nos prende senão uma vontade de ficar, um toque segredo de quem sabe o que amar.
Não somos frágeis, não pensamos mas assim que o chão treme, que o vento passa e o mundo ameaça parar de girar, sabemos que, nada muda, tudo se transforma e que a nossa gravidade nos leva ao infinito do tempo, aqui, nada nos prende senão uma vontade de ficar, um toque segredo de quem sabe o que amar.
Falta
Hoje fazes mais falta, não sei se pelo tempo frio ou pela chuva pegada aos vidros do carro, desprendendo se devagar, cada gota sozinha deslizando pela borracha ate voar sem sentido, hoje fazes mais falta, não sei se por faltar o teu sorriso no espelho ou o meu nos teus olhos, não sei se desconfio da voz que de vez em quando falha quando a falta falha a mais, ou se pelo riso tímido que se ouve na distância.
Não to sei dizer.
Sei que de manha não te ver e por dias não te encontrar faz peso no corpo, faz nó na alma, sei que o mundo esta igual, as horas passam, a chuva cai, o rio beija o mar num pequeno travo de loucura, mas o sentido das coisas não faz sentido nenhum quando não me espelho em ti.
Saio do carro, o vento passa, leva consigo, um cigarro acende se na pressa alheia de uma chama que subsiste, ilumina, aquece, transporta para longe um pouco de sim respira se fumo que o ar pesa, o vento passa e leva consigo uma parte de mim, espero que para junto de nós.
Não to sei dizer.
Sei que de manha não te ver e por dias não te encontrar faz peso no corpo, faz nó na alma, sei que o mundo esta igual, as horas passam, a chuva cai, o rio beija o mar num pequeno travo de loucura, mas o sentido das coisas não faz sentido nenhum quando não me espelho em ti.
Saio do carro, o vento passa, leva consigo, um cigarro acende se na pressa alheia de uma chama que subsiste, ilumina, aquece, transporta para longe um pouco de sim respira se fumo que o ar pesa, o vento passa e leva consigo uma parte de mim, espero que para junto de nós.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Nada Mais
Nada mais há por transformar, expostos, desprotegido, vendo em cada um as suas fraquezas e os caminhos ainda não percorridos, sei que ´Longe, sei que faz frio, sabemos que não faria sentido de outra maneira, não seria o mesmo senão assim, esperamos que as ondas nos tragam e nos levem para outro lugar, não fales, senta-te e deixa fluir na margem da face o vento cortante que havia quando tudo começou.
Apenas deixemos ir juntos o que não criámos, desprendendo de cada um as pequenas coisas que nos unem, partilhando cada gesto de frustração num simples momento parado, num simples silêncio sentido, não fales e senta-te, o mundo está prestes a começar e não queremos que arranque sem isto.
Quando no dia a dia faltar a luz e o frio arregalar nos olhos as pequenas gotas de orvalho, só sei que ficamos enquanto se anda, que falamos quando o silêncio é maior e, que sentados, andamos mais longe que muitos outros que correm.
Não digas nada, já sabemos das palavras, nada mais há senão um gesto teu.
Apenas deixemos ir juntos o que não criámos, desprendendo de cada um as pequenas coisas que nos unem, partilhando cada gesto de frustração num simples momento parado, num simples silêncio sentido, não fales e senta-te, o mundo está prestes a começar e não queremos que arranque sem isto.
Quando no dia a dia faltar a luz e o frio arregalar nos olhos as pequenas gotas de orvalho, só sei que ficamos enquanto se anda, que falamos quando o silêncio é maior e, que sentados, andamos mais longe que muitos outros que correm.
Não digas nada, já sabemos das palavras, nada mais há senão um gesto teu.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Azul
Olhos nos olhos, na distância, está frio, cada vez mais, longe, nos outros dias que a memória guarda, onde ainda restam os sons de onde nascemos, o lago que nunca vimos, a primeira viagem, o primeiro sorriso triste, Não te preocupes, o primeiro tocar de mãos, e um rasto impreciso de quem não se quer deixar seguir, de quem se quer deixar no tempo, guardado numa pequena caixa de memórias, fechada, secreta, donde um dia nasceu um novo ser, somos novos, sem idade se juntos, sem tempo se fora do tempo nos separamos, Não te preocupes, tudo muda mas tudo fica igual, há um plano para, para, para nunca saber parar.
Não te preocupes, no limite do céu, és a terra donde se nasce.
Não te preocupes, no limite do céu, és a terra donde se nasce.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Continua
Não há conclusões que nos façam a medida, nem simples frases que nos encham o ego, apenas confusões e ilusões que nos trazem vento demais a desertos calmos, Sabes o que tiras disto tudo?, que há luz em qualquer escuridão e ruído em qualquer multidão, há sempre ecos nas passagens mais obscuras e silêncio nas mais vagarosas, Porque lutamos?, porque só assim faz sentido, porque só assim é verdade, estar perdido, ser encontrado por quem está perto e esquecer, saber que há uma maneira de chegar lá, ter os sonhos do mundo sem ser no mundo nos sonhos, simplesmente saber que na distância do esforço há o sucesso da verdade, já não somos novos, a idade cresce, contudo, somente enquanto o tempo não matar, a cabeça souber pensar e a nossa força conseguir mover todas as montanhas do mundo, continuamos jovens, continuamos a ser a luz da nossa escuridão, a força das nossas ações e o poder de recusa de tudo o que não for feito por verdade.
Com isto se há de continuar...
Com isto se há de continuar...
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Até Já
Está demasiado frio hoje, o café não me aquece, o fumo não me enche, a noite reluz levemente numa pequena lasca de dia a bruxulear pelo horizonte, quem diria que serias tanto, olhamos para trás e fica sempre um espaço pequeno, só nosso, por preencher, um receio de não ter dito tudo, um sonho ao acordar, damos as mãos e tudo faz sentido, o mundo para ou simplesmente somos nós que paramos para o mundo e olha-me, uma última vez, o contorno é o mesmo, o castanho o teu, secreto, reticente, feliz, apenas quem nos conhece sabe ler o que ninguém ousou ainda escrever.
Chegou o momento, onde a gente fracassa, onde a única coisa é coisa nenhuma, não sabia que podias ser tudo, há medo, não interessa, encontro-te na escuridão e juntos seremos luz, procuro-te no silêncio e juntos teremos voz, desenlança as mãos e não esperes, cada toque teu é eterno, apenas tu podes ser sorriso, apenas tu podes...
Tudo roda, a visão fica turva, o fumo enche a sala, não sabemos como, já nos perdemos onde.
Nós não temos sítio, já não somos tempo, não temos espaço, falta o ar, o medo vem. Tremes, tremo, não sei que dizer, sei-te olhar e desejar sempre ser o espelho dos teus olhos, a chave de todas as portas, a janela de todo o tempo. Cala, fica, foge e não esqueças...
Temos o infinito e tudo o que quisermos dele será nosso.
Até lá, até já. Sempre.
Chegou o momento, onde a gente fracassa, onde a única coisa é coisa nenhuma, não sabia que podias ser tudo, há medo, não interessa, encontro-te na escuridão e juntos seremos luz, procuro-te no silêncio e juntos teremos voz, desenlança as mãos e não esperes, cada toque teu é eterno, apenas tu podes ser sorriso, apenas tu podes...
Tudo roda, a visão fica turva, o fumo enche a sala, não sabemos como, já nos perdemos onde.
Nós não temos sítio, já não somos tempo, não temos espaço, falta o ar, o medo vem. Tremes, tremo, não sei que dizer, sei-te olhar e desejar sempre ser o espelho dos teus olhos, a chave de todas as portas, a janela de todo o tempo. Cala, fica, foge e não esqueças...
Temos o infinito e tudo o que quisermos dele será nosso.
Até lá, até já. Sempre.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
T.U.D.O.
É te dada vida, um pequeno bafo de desejo, um enorme sentido de misericórdia, sem fontes, nem correntes, apenas uma correte vazia de espaço, sem caminhos, ou destinos marcados, terra virgem, a tua cabeça roda e não sabes, és tudo à tua volta, simplesmente tu, simplesmente à tua volta, não sabes onde estás nem quem és, o silêncio espalha-se e as tuas portas fecham-se, não estás perdido, és simplesmente só, sentido contigo numa sinfonia simples, apenas, não é fácil?, não é justo?, és tudo mas tens um dom omisso,
Não poder ser tudo sem nada!
Perder
Há que largar a espada, deixar as armas cair num gesto de rendição, esquecer o que se passou e ver a chuva pelas portas já fechadas, dormir, e escolher olhar para o mar infinito, talvez por escolha, talvez pelo tempo que perdemos ao não ter tempo, deixar ir o que não tem nada para ficar e saber que alimentar o vazio só o faz crescer.
Quanto se precisa? Quanto basta? Não se corta e corre, não se larga e deixa, às vezes deixas-te ir com o vento, cego para ver e o dano está feito, não esperas, não calas, não, enches de nãos todos os sins possíveis, queimas-te por dentro, os olhos ardem e não vês o regresso inteiro de quem nunca mais irá voltar.
Não é tarde, simplesmente já não é tempo para ter mais, para ter simplesmente, da janela vemos o mar calmo, e no canto ficam os sonhos que escrevemos, ficam os espaços onde passamos e o meu corpo corre para um sossego escuro, Nunca é o fim, dou-te um último beijo no ombro, deixas-te ir e contra mim vais, uma última lágrima cai, um último sorriso nasce, Nunca acaba o que o fim não consegue terminar.
Quanto se precisa? Quanto basta? Não se corta e corre, não se larga e deixa, às vezes deixas-te ir com o vento, cego para ver e o dano está feito, não esperas, não calas, não, enches de nãos todos os sins possíveis, queimas-te por dentro, os olhos ardem e não vês o regresso inteiro de quem nunca mais irá voltar.
Não é tarde, simplesmente já não é tempo para ter mais, para ter simplesmente, da janela vemos o mar calmo, e no canto ficam os sonhos que escrevemos, ficam os espaços onde passamos e o meu corpo corre para um sossego escuro, Nunca é o fim, dou-te um último beijo no ombro, deixas-te ir e contra mim vais, uma última lágrima cai, um último sorriso nasce, Nunca acaba o que o fim não consegue terminar.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Começar de Novo II
Há uma tempestade lá fora e os teus cabelos são negros como ela, a tua boca carregada como as nuvens negras do céu, um criança tropeça, inocente, depois de correr, antes de sentir, uma criança tropeça dentro de ti e eu perco-me nela, a noite vem e leva-te como se não voltasses, como se não deixasses, e por nuvens e além nuvens, um mar profundo e um silêncio constante, a tua boca cala, o teu corpo consente, e indo mais longe que os homens fomos tudo menos deuses, não voltamos onde o mundo principia, não voltamos porque há viagens que só de uma partida são feitas.
E começas de novo, quando de manhã o sol nasce cedo e as gaivotas voam, brancas, por cima do rio, trazendo consigo o barulho dos motores, o céu que despreza a morte, o riso do tempo, o sonho que apenas desenhamos no tempo.
No último tempo, na despedida, vale a pena ter amanhecido, ter perdido, ter fascínio, deixando ir nas esporas do tempo a confiança cega dos sobreviventes, a mancha eterna dos prisioneiros, ter-me conhecido e perdido, ter me corrido nas manhãs, contar comigo...
Vale a pena se no começo existir princípio, se num fim existir silêncio....
E começas de novo, quando de manhã o sol nasce cedo e as gaivotas voam, brancas, por cima do rio, trazendo consigo o barulho dos motores, o céu que despreza a morte, o riso do tempo, o sonho que apenas desenhamos no tempo.
No último tempo, na despedida, vale a pena ter amanhecido, ter perdido, ter fascínio, deixando ir nas esporas do tempo a confiança cega dos sobreviventes, a mancha eterna dos prisioneiros, ter-me conhecido e perdido, ter me corrido nas manhãs, contar comigo...
Vale a pena se no começo existir princípio, se num fim existir silêncio....
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Todo o mundo é assim
As coisas transformam-se, a chuva cai e aprende a parar, o sol nasce e deixa-se morrer, tudo se muda em mim, tudo se transforma por colapso rápido, por mudança súbdita como um sopro no ar, um nome a chamar, de longe, um abraço e um até mais, o horizonte vai longe e tudo o que o olho alcançar se deixa partir com ele, invadindo a terra do ninguém, sem ninguém notas, palavras e vozes, sinais e gestos, tudo é grande demais,
Todo o mundo é assim, tudo se fecha num fim.
Num horizonte longe, numa palavra surda.
Todo o mundo é assim, tudo se fecha num fim.
Num horizonte longe, numa palavra surda.
Lá fora
Nos olhos fundos guarda a dor toda do mundo, o sal todo do oceano, um canto triste e sozinho, uma voz trémula de quem tem mãos gastas, Lá fora amor nasce, nos dedos uma ferida tépida, de passagem pela madeira ressequida do tempo, Eu mostrei sorrindo, a face sóbria como quem passa, o tecido verde como quem espante, Olhos tristes, guarda tudo no regaço e deixa tudo no seu espaço, num pequeno banco do quarto se senta e aceita mil versos do vento, mil distâncias do universo, Lá fora amor as rosas morrem, e a festa acabou aqui, o barco partiu comigo, o meu porto será sempre aqui, O tempo passou na janela, só não viu o tempo ficar. E com tudo, E com isto, se fica sempre na meia distância do tempo, na meia palavra da vontade, E a dor toda do mundo fica sempre, Não vai dar, E a dor não fica, Lá fora, Cá fora, Nasce de dentro a estrela que te cai nos olhos e ilumina, te desce na boca e fica, te mata na alma e cresce.
Se for isto o que chamam, é isto que fica, nenhuma palavra existe como o mundo não chega para agora explicar. Lá fora, nasce!
Se for isto o que chamam, é isto que fica, nenhuma palavra existe como o mundo não chega para agora explicar. Lá fora, nasce!
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Respira-me
Ligas o carro, está frio, o bafo do cigarro confunde-se com o da vida, devagar, lento, em cada bafo, um gelar interno até às vísceras da alma, e paras, respiras mais vagarosamente, em cada bafo o universo inteiro, fragmento, nublado, denso, confuso, a ir pelas janelas fora, revestindo o vidro de uma pequena película opaca, estás só, o mundo não te vê, e aceleras finalmente. Pões a primeira, a segunda, até à quinta o primeiro cigarro se vai e a música acende, não sabes para onde vais mas sabes onde não ficas mais, o caminho descobre-se com a viagem e o passado acaba-se no tempo, és livre, finge e cala, consente, deixa e vai, segue só, sem malas de viagem nem telefones guardados, apagas as fotografias e os papéis já reescritos, a tua história começa agora. Ficou na portagem o último sorriso, um último Obrigado, Ouves-me?, Falo contigo?, e ninguém responde, não queres falar, apenas em sonhos. Do outro lado do mundo, da outra margem do rio, para...
Olá, perdi-me outra vez, a pior parte é não haver mais ninguém a culpar, não haver mais nada a recordar, embrulha-me em sonhos e envia-me para o mundo, não preciso, não aqueço, não sei, respira-me.
Perder-me outra vez, mais longe, sabendo que te encontro quando nós quisermos, não me perco de ti, não fujo de nós, um dia o longe vai ser demasiado perto para fugir, demasiado calado para ter voz. Nesse dia, tudo fará sentido, nada será verdade.
Olá, perdi-me outra vez, a pior parte é não haver mais ninguém a culpar, não haver mais nada a recordar, embrulha-me em sonhos e envia-me para o mundo, não preciso, não aqueço, não sei, respira-me.
Perder-me outra vez, mais longe, sabendo que te encontro quando nós quisermos, não me perco de ti, não fujo de nós, um dia o longe vai ser demasiado perto para fugir, demasiado calado para ter voz. Nesse dia, tudo fará sentido, nada será verdade.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Sedado
Amanhece, frio, longe, só, sem sentido, simplesmente uma sinfonia de fundo sem ti, um solstício mundo sem nós, nas manhãs imensas dos dias claros, surge na janela um pequeno raio de escuridão, uma pequena brecha de destino, um peculiar rasgo de solidão, entra, penetra, toca e envolve, deixa-te ir nos seus braços para o longe, o infinito de nada, o mundo vazio de ti, uma pequena tontura, uma grande ferida, nascem sombras nas paredes dos reis, eu e tu, algo que fica longe pelas paredes. Nascem o chão muros sem fim, cobertos de cinza, recobertos de ervas crescendo a cada passo, mais rápido, mais alto, por mais que as agarre, as puxe, as rasgue e as tortura, nada as para, nada as faz, sedados pelo tempo que deixámos ao lado, o veneno que não deixámos cair, as pequenas gotas que nos saem do tempo e se deixam ir, de mim para ti, de ti para mim, dorme, deixa-te ir, e enquanto as paredes nascem e nos amarram a elas, cada vez mais perto, cada vez mais longe, eu e tu, não paramos, o mundo não para, o mundo não fica, e surdos, mudos, deixámos passar pelas linhas do tempo os caminhos que jurámos nunca percorrer sozinhos.
Sedados, mudos, calados, sem sentido, estamos cada vez mais longe, sem nunca saber o que foi estar perto.
Sedados, mudos, calados, sem sentido, estamos cada vez mais longe, sem nunca saber o que foi estar perto.
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